quem sou eu

18.4.08

pérolas da vida

As tragetórias que fazem o maior sentido na nossa vida: acordar num dia em que tudo parece simples, nada exige um mínimo esforço seu. Nesse mesmo dia, perceber que existe uma emoção que vem de dentro e que faz o coração pulsar de uma forma mais intensa, chega a ressoar no peito. O dia vai passando e a realização está pra acontecer. Mas no fundo já aconteceu. O momento de uma estréia, um lançamento, uma publicação, uma inauguração enfim, é sempre a concretização de algo que vem acontecendo na sua vida há algum tempo, porém algumas pessoas nem se deram conta, nem mesmo você talvez. Os dias são feitos de sonhos. As noites também. Os meses passam e os sonhos acordam em personagens reais. O que um dia foi nuvem de pensamentos e delírios ou simplesmente desejo comedido, no outro tornou-se presente. Graças à sua tragetória, aos passos de cada dia. Descobrir os passos é fantástico. É bonito. É simples e verdadeiro.

8.4.08

Silêncio

Querem apenas o silêncio.

O silêncio do amanhecer
na eterna busca do ser

O silêncio de uma manhã
com luz do sol e mente sã

O silêncio de um pássaro cantante
no céu com seu vôo rasante

O silêncio de um sopro de vento
que anuncia a chegada do tempo

O silêncio do lento respirar
O silêncio do coração a bater
O silêncio da mente ao sentir

Querem apenas silenciar.

Pedem apenas licença
para o silêncio se assentar.

20.3.08

nube

Aprì la porta di casa, tutto era silenzio. “Ecco” pensò “la casa è vuota”. Entrò nel bagno e fece una doccia. Dopo la doccia, ancora nuda, spense la luce, chiuse la porta della sua camera anche se sapeva che non c´era nessuno lì. Mise il disco che prese in prestitto dal suo migliore amico, un duo di clarinetto e chitarra classica. Si sdraiò sul letto e sentì tutto il disco mentre pensava nelle onde sonore, nelle dita sulle corde, nel soffiare che veniva dal cuore, nella musicalità dei suoi pensieri.

Chiuse gli occhi. Si ricordò delle notti che passava a casa del suo ultimo amore. Quello che dormiva nudo e si svegliava sorridendo ormai i suoi occhi non erano ancora aperti. Prima di addormentarsi, a lui piaceva sentire la musica che veniva dalla chitarra e del clarinetto, fusi tutti i due insieme, a fare um bordello delizioso.

Pocche lacrimme le hanno bagnata. I ricordi ognitanto vogliono che il cuore dica alcune belle oppure tristti parole. Decise di fare una copia del disco per spedirglielo. Sul disco, verrà scritto: “Ascoltalo nudo al buio”’.

Per Maria

Se la vita fosse una canzone, canterei con tutta la voglia che l´amicizia è como un fiorellino che si sboccia quando viene la primavera, che sa il valore di una stagione, che gode i profummi portati dal vento.

Nel ritornelo ripeterei che l´amicizia conosce la durata di un tempo, sa che i periodi distanti sono fatti d´inverno, nebbia bianca coprendo la vita, parole ghiacciate dalla pioggia di neve.

Come una canzone d´amore, direi che l´amore di un amico non muore mai, riposa quando il tempo non lo permette di vivere con intensità e respiri profondi, si sveglia appena vede la luce, strizza la sua rinascita appena ascolta la voce soffiata dall´altro cuore che gli pensa.

E come una vera canzone, non sarebbe mai finita. Una volta cantata resta incantata per più di una vita.

11.3.08

vira dança magia




dançaria por toda a vida
deixaria a música tê-la invadida
celebraria a cada dia
a sabedoria de cada cantiga
de cada passo que ocupa o espaço
na roda onde seu corpo gira.

o sanfoneirinho

tem coração que toca
com a delicadeza das mãos
tem o balanço das ondas
que soam dentro de cada nota
tem nos olhos - quando os fecha,
a sutil beleza
da música que vagueia
por todos os cantos seus.

nuance

Abriu a porta de casa, tudo era silêncio. "Ufa!" pensou "a casa está vazia". Entrou no banho e depois do banho, ainda nua, apagou a luz e fechou a porta de seu quarto, mesmo sabendo da ausência de pessoas por ali. Colocou o disco que pegou emprestado do seu melhor amigo, um duo de clarinete e violão. Encostou a cabeça no travesseiro e ouviu o disco inteiro, pensando nas ondas sonoras, nos dedos sobre as cordas, no sopro que vem de dentro, na musicalidade de seus pensamentos.
Fechou os olhos. Relembrou suas noites na casa do seu último amor, daquele que dormia nu e acordava sorrindo, dando risadas de olhos ainda fechados. Antes de dormir, ele gostava de ouvir o som do violão e do clarinete juntos, numa algazarra sem fim.
Chorou poucas lágrimas. A lembrança faz o coração dizer algumas palavras tristes e tão bonitas às vezes. Decidiu fazer uma cópia do disco e enviá-lo pelo correio, e na capa com os nomes dos músicos escreveu: "Escute-o nu, no escuro".

na consulta

Sentada com as pernas cruzadas bem em frente ao seu terapeuta, ela perguntou ousadamente:
- Já se apaixonou por alguma paciente tua?
Ele olhou para o lado, depois voltou seu olhar para ela e devolveu a pergunta com um sorriso no canto da boca, aproximando-se de seu semblante:
- E você, já se apaixonou por algum de seus alunos?
Com o sorriso de lábios fechados, ela nem hesitou:
- Já!
- E então? o que aconteceu? - perguntou ele com interesse.
- Nada! - veio a resposta leve junto com um levantar de ombros.
- Mas...a paixão não foi declarada? - quis saber ele enrrugando a testa.
Com um risinho suspirante e uma longa piscada, respondeu:
- A paixão é declarada a todo momento quando se a tem. Nem sempre em palavras, talvez muito menos em palavras, o olhar sabe dizer. Basta que o outro saiba decifrar e receber o sentimento que escapa pelos olhos. Então, já não depende mais de quem entrega tudo aquilo, mas de quem recebe, se é que recebe, se é que quer receber.
Ele, um pouco perplexo diante da resposta disse olhando pra baixo:
- Muito bem. Nos vemos na próxima semana, espero que você volte.
- Sim. Até logo.

Ela saiu pela rua pensando em telefonar a um amigo que queria ver. Não conseguiu encontrá-lo em casa e não respondeu ao celular. Desceu a ladeira pensando que os homens, independente de seu tamanho, vão sempre baixar os olhos para uma mulher que sabe o que quer.

6.12.07

casa de maria



a casa de Maria
tem varanda com flor
abélia, lírio, azulzinha
vaso de margarida
canteiro de rosa
miúdo jasmim

o jardim da casa de Maria
tem árvore cerejeira
castanha, castanheira
limoeiro e oliveira
nasce uva na parreira

na horta da mãe de Maria
cresce pomodorino verde e vermelho
pimentinha e pimentão
alcachofra tamanho pequeno
salsinha o verão inteiro

da janela de casa
Maria vê a montanha
alta e verdejante
de Borgo São Lourenço
branca com a neve
quando cai o inverno

da porta da cozinha
late o cão que Maria cria
tem pêlo escuro
das noites sem lua
tem olhos grandes
pra ver a rua

acena do portão
ao vilarejo Maria
é Lucco de Mugello
onde passa seus dias
de descanso
leva os amigos
que acreditam que paz
e passarinhos podem reinar
por todos os cantos.

em sua terra ela ainda muito ressoa



Ela repousa sob os braços que se modelam para abraçá-la.
Pode ser boneca por ser adorada pelos que a têm no colo. É uma senhorita com elegância e respeito que uma donzela gosta de instruir. Esbanja charme e junto com ele esparrama beleza e trejeitos tão únicos que se interceptam com a velocidade dos dedos mas também com o som de um lento respirar. Ela pode ser vermelha se for sanfona, ele pode ser escuro se for um acordeon.
Tão peculiar e complexo, esse instrumento vem chamar atençao do olhar do passante, do passante que anda, passeia por muitos países e encontra em todos os foles de povos diferentes, a sua unidade e também a sua diversidade. Ela é única. Ele só pode ser tocado se houver um casamento; quando casam movimentos do corpo, de cada parte pequena, dedos, mãos, num crescente ante-braços, bíceps, ombros, escápula, dorso e seu segmento ascendente ao pescoço. Casam-se pensamentos e capacidades, sentimentos e improvisos, melodias e harmonias, timbres e tons, amor e dor, dança e lentidão, sonho e sonorização. É o casamento de todos os elementes presentes, oriundos da comunhão harmônica, que fica perto do coração.

O carregar da sanfona na Itália traz a sensação de que é a melhor companhia para uma praça com sol, para uma rua de pedras com pés que pisam todos os chãos, para um céu que se abre em azul e sobrevoa o tempo que existe na música em execução. É bonito de ver os mais velhos com sabedoria a distraírem-se com ela no colo, ouvindo suas próprias canções, que provavelmente continuam a dar sequência à uma tradição de gerações, e que permanece no seu berço madrigal, popular e oral. Está sempre nos braços dos que acariciam o povo sem tocá-los efetivamente, mas cobrindo-os com uma manto de saudação.

24.11.07

grão


caminho da areia, infinito e incessante, caminho dos grãos dourados, de horizonte que megulha nas pupilas do olhar, caminho da estrada que se desmancha, vento de poeira que levanta, marcas das pegadas que se desfazem e o coração fica eterno na lembrança dos passos, a companhia dele que caminhava bem atrás de cada passo seu, sem titubear, esparramando os grãos que a areia desordena, deixando-os escorrer soltos na montanha repleta de memórias de pés, de almas, de céu azul, são as inspirações perfeitas daqueles que se amam, que não se enganam, que atravessam o monte, a areia, e não afundam no pensar, perfazem a travessia sem dor, se com dor, alimentam-se de cumplicidade, abastem-se de água do espírito, dormem abraçados com os sonhos embalados, tecem a certeza dos laços, acordam dentro do sorriso do pleno instante, cama de areia, até se fosse de pedra com os corpos latentes unidos, de pérola seria, qualquer caminho seria o mesmo que eles quisessem trilhar, qualquer deserto preencheria a vastidão de um sonhar, nenhum coração sentiria a solidão de não estar, a verdadeira dor do distanciar.

13.11.07

Lua Cheia



Luz, Sombra e Clara estavam perplexas diante dos acontecimentos noturnos de uma praça outrora tão bem frequentada. Falavam baixo as memórias de quem muito ouviu conversas e estórias daqueles que ali se sentaram nas noites de luar, casais românticos nas noites sem luar (noites escurinhas..), crianças que traziam seus telescópios nas noites de lua crescente e davam risada imaginado que estariam vendo a lua aumentar de tamanho lentamente. Ouviram os lamentos de tantos tristes e solitários nas noites de lua minguante e ultimamente, o silêncio permanecia nos bancos vazios, os mesmos bancos que apoiavam traseiros distintos em suas formas, consistência e..volume.
"A garota com laços de fita violeta e caderno cor de setim vinha sempre ao escurecer, escrevia seus contos diários em voz alta, as mais lindas estórias de desencontros que significavam o destino pra ela reservado" disse Sombra. "Ela sentava-se embaixo de mim, acendia uma lanterninha e reconstruía os fatos inserindo julgamentos pessoais. Nada na sua vida poderia ter sido ao acaso, criava as mais profundas explicações para os acontecimentos até os mais corriqueiros. Aprendi uma vez que sua intuição fazia parte do desenrolar de suas escolhas, no fundo ela sempre sabia que aquilo poderia dar certo ou não, se tivesse realmente escutado o que já intuía desde o princípio."
"Sábia menina" - disse Luz "irradiava sabedoria quando refletia sobre seus caminhos...também me lembro daquele velho senhor que todas as manhãs vinha sentar-se à minha frente, fechava os olhos e, depois de muito tempo, descobri que ele meditava". Luz mirou o horizonte ao longe e continuou: "Depois do silêncio, ele entoava umas canções que cantavam um espírito bom, um sentimento simples, um gesto verdadeiro..depois de cantar sorria pro céu e balançava o dorso sentado pra lá e pra cá."
Enquanto Luz e Sombra alternavam suas lembranças, Clara viu-se absorta em seus pensamentos mas logo fez parte da roda: "Tinha um garoto que vinha na madrugada, com latinhas semi-cheias de alguma cerveja importada. Deitava-se no banco e ria de suas travessuras na noite, suas conquistas falidas e palavras desmedidas, depois ficava sério consigo mesmo, dizia que não seria jamais alguém admirável mas desprezível, porque sempre desprezara as pessoas que não riam com ele." Olhou para Sombra e seguiu adiante: "Quando o dia clareava, ele se levantava com os olhos meio enrugados, coçava os cabelos e estendia os braços como num espriguiçar, em seguida, soltava um som junto com sua inspiração e rumava em direção à Sombra e depois à estrada logo adiante".
O que fez com que esses personagens reais desaparecessem daquele cenário tão perfeito pra eles, era a resposta que buscavam os três que, todos os dias ali estavam e faziam parte, de alguma maneira, do universo exterior de todos eles.
"Talvez as pessoas estejam sem tempo pra vir aqui, elas sentem-se cansadas e precisam
percorrer outros caminhos que não se aproximam deste onde estamos" acrescentou Luz. "Ah, mas o tempo pode tornar-se seu companheiro e acho que essas pessoas estão com preguiça de refletir, parar um pouco pra sentir o vento e encontrar outros amigos que se sentam no banco ao lado. Elas perderam a compreensão do que pode trazer-lhes sabedoria pelo simples fato de saber sentir o silêncio" emendou Sombra.
Clara, como sempre absorta em suas divagações, murmurou: "Os espaços estão sempre abertos, o tempo está sempre presente, a Luz, a Sombra vão sempre complementar-se nos caminhos, mas as pessoas estão incoscientes, não conseguem reconhecer que o que elas buscam e fazem todos os dias é o próprio sonho se realizando, no tempo que elas têm como companhia." E no silêncio da noite de lua cheia, repousaram como há muitos anos haviam feito.

12.11.07

cartas com amor

" "Chiara é, sem dúvidas a mulher mais extraordinária que possa ter entrado na minha vida" foram frases por mim escritas numa carta que acabei de enviar a um grande amigo antes de vir aqui escrever-te.
Não é uma frase de efeito para vangloriar alguém, nem um modo de dizer algo de bonito pra deixar o outro feliz ou mesmo exaltar algo bom que sinto dentro de mim. É somente assim na minha cabeça, claro, forte e simples. Tu, Chiara, não saberás jamais o que trouxeste para minha vida e me fazes rir quando tu me dizes que tenho tanta daquela energia quando faço música ou sorrio. Foste tu quem a deixaste muito mais segura e larga dentro de mim. A maior beleza mesmo é que esta energia tão presente e real em nenhum momento se torna presunçosa, mas traz-me sempre tranquilidade, quando estou sentado tocando e sorrindo, mesmo se tu não estás lá, quando estou cozinhando lentamente aquele ragú que tanto fazia quando tu tavas aqui...este é o presente mais bonito que alguém poderia ter-me dado - um tanto de confiança no meu próprio corpo e o mais incrível, deixar-me ir completamente.

Agora exagero.

Escrever-te ultimamente é como escrever a deus, com a intimidade e a sinceridade que a ninguém mais um dia concedi. Contigo posso contar tudo com espontaneidade e eu escreveria tudo até amanhã e ainda te sussurraria minhas histórias inventadas, somente pra ti...

Agora paro de exagerar.

Aquilo que tu me escreves é música que ressoa de todos os ângulos e acho que ninguém me toca suas canções com tu as tocas. Eu penso em ti de todas as formas possíveis, sem limites, ou sem vestidos..
Estes dias comecei a escrever-te outras cartas e espero que elas cheguem antes que dois anos se passem!
Também procuro levar-te em meus passeios pelo parque perto de casa, como quando olhávamos pra água, pras gaivotas e patos à beira do lago, sob esse céu azul de milagres em novembro, laranja de nuvens ao entardecer de outono. Depois abro os olhos e esqueço de sonhar.
Carrego-te aqui dentro, sempre intacta assim como certas flores que florescem somente depois de cem anos.

Despeço-me então, com este abraço longo longo,

com beijos em teu corpo,

com tantas outras coisas.

Do teu admirador secreto,
A."

31.10.07

de passagem

Sbalordita

O desafio de recomeçar...todo começo é um arremesso, eu já me repetia isso desde os tempos mais simples, quando arremeçar era lançar mão dos medos, dos embaraços, das paixões escondidas. Hoje o arremeço é conseguir denifir o que o peito quer decifrar, qual das paixões o peito quer viver com mais intensidade ou qual delas ele poderia viver com satisfação.
Depois de realizar um grande sonho, será que é preciso acordar? de um sonho não se pode emendar em outro, depois em outro e ir até o infinito? parece que a parada pela terra é certeira nesse trajeto, parece que nenhuma viagem possa ser tão longa que não te permita uma pausa para um café.
Mas hoje a paragem não é em qualquer outro lugar. É no porto das lembranças mais vividas, mais seguras, de quase uma vida inteira, onde os pés pisaram muitas vezes, onde o pensamento esteve a maior parte do tempo, onde os laços foram criados com amor e tantas sementes semeadas com extidão. Ou quase.
Voltar para casa talvez nos traga um pouco de afeto quando estamos distantes demais, quando acostumamos com a humanidade dispersa pelo mundo e (re)voltada com os próprios conceitos e preceitos. Independência é relativa, seremos eternos dependentes do amor nosso e de outrem. Mas depender significa precisar? ou querer? ou saber que existe e que basta a existência? talvez a existência não baste, nenhuma pessoa quer ver longe quem ama. Quando pisei na minha terra, soube de muitas mortes que lágrimas em mim não escorreram como forma de socorrer-me de algum sofrimento. O desapego com a existência pode assustar às vezes, pode fazer a mente querer reagir ao contrário, tentando buscar o que ela nem deu por perdido.
O que parece ter-se perdido são todos os sonhos dentro do sonho maior. Aquelas cores e sons que ali estiveram durante todo o tempo que durou. Eu sei que nada se perdeu, tudo está sendo transformado, mas ainda não se sabe muito bem em que..para onde vai, em qual gaveta do armário que a vida dispõe. Espero que num armário ventilado, pra não mofar nunca..

10.7.07

raggionando sulla vita in Italia

Os italianos tem um certo comodismo diante da vida, são um tanto provincianos e querem tranquilidade. Ainda se apegam muito a certas regras e comportamentos morais o que talvez seja o peso da historia que têm, a tradiçao da família, de querer casar, ter um trabalho, um carro..o lado legal disso é a união dos casados e dos filhos, do famoso romantismo, a paixão profunda, mas tambem o apego excessivo, o ciume, "apossamento". Mesmo os meus amigos mais entusiasmados com a vida, sempre acreditam que as coisas são difíceis ou quase impossíveis.

"gente querendo ser amada
sem saber por onde começar"

Viver em outro país traz a sensação de quanto é bom estar em casa com quem temos afinidade, com quem tem a mesma energia boa e procura viver ou lutar com o rei que mora dentro si.
Aqui, tantos rostos expressando uma não-violência de querer estar cômodo e passar o inverno dormindo e o verão deitado na grama, porque afinal por aqui existe uma forma mais individual de se viver, contanto que um possa se sentir confortável onde está...ou contanto que possa reclamar tanto até nao se suportar mais e ir assistir tv. A vida de quem não é artista ou estudante inteligente, é sempre a mesma,

"e vejo que isso é estar desalienado do nosso tempo
nosso tempo-História e nossa história tb".

Mas em meio à minha desalienação eu encontro a essência de perceber que cada dia pode te ensinar algo, se você quiser aprender, senão pode continuar tudo igual. Cada pessoa pode ter um significado imortal se a sinceridade o permitir. O coração precisa estar sempre pulsando certeiro para que te dê forças pra acreditar que o que parece difícil talvez nem o seja e o que parece impossível, realmente nao o é.

1.4.07

vai na fonte




nao é água de beber, camará, mas é fonte de água cristalina, fonte das fontes centenárias, com moedas reluzentes em seu fundo.

fonte das esculturas de mármores, é hercules, apolo ou netuno com sua lança certeira. são homens fortes exibindo o dorso. são belos todos.

é agua que escorre sem cessar. são pedidos e desejos que afundam na água turva, iluminada pela luz natural durante o dia, pela artificial ao entardecer.

é o movimento da água que acompanha a agitaçao do coração fascinado por Roma. é a pulsação que acompanha os passos frenéticos, as vozes soando alto, a água respingando baixo.

os olhos estão arregalados, perplexos. iludidos de beleza. vesgos de euforia. sorriem como se fossem crianças e se desmancham de prazer ao ver o sonho imaginado acontecer.

24.1.07

o sonho de poder ser


Simplesmente deitar na grama fresca, dormir com os olhos sonolentos de prazer.
Ele me faz falta, está distante. Mas sua lembrança me acompanha e meus caminhos me fazem acreditar que viver sem esperar traz o inevitável. Hoje não posso deixar a expectativa me fatigar demais, aliás ninguem pode, mas todo mundo sente. O cansaço do anseio de conseguir. A inquietação da necessidade de obter. Obter é uma palavra muito feia na idade contemporânea, e tudo que é contemporâneo demais perdeu seu valor primitivo. Sua essência verdadeira.
Eu quero o verde da terra. A umidade da sabedoria. Não quero esperar por nada, apenas encontrar.

18.1.07

sogni d'oro

depois de um inicial estado de observacao e constante questionamento sobre a paris mais bela de todos esses tempos, veio a perplexidade, o encantamento, a completa absorção da beleza limpa e clássica parisiense. certamente a beleza nos faz apaixonar, nos coloca em estado de êxtase passível, no qual abre-se os olhos somente pro deleite e fascínio de tudo que reflete com brilho no olhar.

sim, certamente a cidade tem sua forma mais sofisticada e inevitavelmente te envolve em seu cenário iluminado..durante todo esse tempo eu vivi todas as fantasias possíveis enquanto caminhava pela garoa fina. No meu último dia em paris eu deixei o cachecol em casa, precisava sentir o ar fresco roçando no meu pescoço, precisava deixar o colo sentir os últimos momentos de estar naquelas ruas sozinha, alimentando as vistas de um explendor exuberante, o que talvez não seja mais que perfeitas construções arquitetônicas.

estar na europa te faz dar um valor imenso à matéria, o que até certo ponto pode ser positivo, quando se tem em mente a criatividade e habilidade de tudo o que o pensamento foi capaz de concretizar. mas pra se sentir mais humano é preciso esquecer um pouco toda essa matéria também feita de ouro. pra quem todos os dias acorda e sai pra rua com tudo isso diante de si, talvez seja quase incompreensível o ato de despir-se dessa verdade.

em algum momento do dia preciso fazer a reflexão de que a alma continua valendo mais. senão a casa cai e o que pode restar são tijolos duros, pesados e antigos no meio do teu chão.

4.1.07

o buraco negro de paris iluminada

Todos os dias dicutimos sobre a podridao escondida na veias da cidade perfeita. Ideal de beleza, tudo bege e marom, placidez, linhas infinitas, luzes pra deixar a rua bem amarela refletindo a palidez das pessoas como se elas tivessem que ser vistas a todo momemnto, como se seus rostos fossem tao perfeitos que devessem estar clareados por holofotes magnificos. Mas a beleza nao nutre a verdade qe aparecem nos rostos mais negros.

De dia, na mesa de casa ou a noite na mesa do bar, a gente fala da xenofobia deste povo icone da filosofia, quem pensa sao os franceses, quem cria reflexoes mirabolaveis e faz auto-critica no cinema, com dialogos interminaveis, sao eles, que conhecem sua perversao, sua vontade de mandar os nao-franceses pra bem longe de suas portas. A gente repara e observa com o canto dos olhos o guarda estupido segurando forte no braco da negra, que implora pra voltar logo pra casa e cuidar da familia, enquanto o cara branquelo fica tentando mostrar que seu bilhete de trem esta' vencido e que isso e' o fim da picada.

Os negros tem expressao de batalha, de vida bem dividida, apesar de estarem lado a lado no banco do metro. as filas nos orgaos das embaixadas sao interminaveis e o sorriso insincero vem macio quando nao se quer fazer nada pela condicao do outro: je suis desolle'...e com tantos caminhos dificultuosos, os nao franceses querem viver aqui, porque a cidade e' quase perfeita se nao fossem os preconceitos humanos, porque ela oferece grana e faz muita grana flutuar, porque mais que a gloriosa arquitetura palacesca e toda uma tradicao monarquica, paris gera emprego e proporciona conforto pra quem estava acostumado a dormir na terra vermelha.

a contradicao esta' em toda parte, e os bairros do alto estao repletos de outros que nao os brancos e loiros. e os bairros nos altos sao cheios de vitalidade e originalidade, tem burburinho, tem cor de gente que anda na rua e te olha de vez em quando. tem produto com preco justo, tem atendente que te responde na sua propria lingua, com muito prazer.

1.1.07

vem pra ficar? ouii avec moi

dans le vie et sour la lune

se tu quiseres me ouvir
te achegues que o que eu vou-te dizer
talvez faça sentido
talvez te fascine ou te embriague
minha voz a ti não chega
meu coração talvez te toque
brilha a pupila grande redonda
negra como as noites sem luar
meus olhos estão dilatados
profundo é sentir como teus olhos
permancem como a noite e sua longuidez
escureceu às 17h
só vai clarear as 9h em paris
é assim
a brancura pinta o quadro
da cidade
fria e charmosa
ano que inicia
champanhe francês
nenhum fogos de artifício ruiu
alguns doces tomei
nem sequer tua voz ouvi
mas teus olhos vi
dentro aqui coleciono olhares
dentro de ti te invado sorrindo
fora de tudo a lua cantando
a rua dançando
meu coração balançando
e todas as canções brindando
a felicidade de ver-te sorrir sempre chegando

bone nadal

Em catalão se diz assim.
"felices fiestas" já soa familiar e o catalão vem misturar francês, espanhol e português. É exquisito!
O natal foi atipico: hall da casa de pelo menos 150 anos, pintado de laranja. Corredor vermelho, acesso à cozinha verde, eenoorrme, com um cantinho da amizade: grafia japonesa colada na parede e três poemas de Pablo Nerruda na parede de azulejos bem decorados. uU dos donos da casa, um galego-português, disse que as lia todas as manhâs, para não se esquecer de que "El mar ès movimiento y plenitud, vida y illusion".
Seguindo o corredor vermelho, sala amarela e azul, ampla, sofás rasteiros, brancos, almofadas verdes. O piso era de madeira, perfeito para a noite de bailo! Mais uma sala marrom, almofadas no chão e chaminé! ahh, muy buena, fuego en mis ojos, calor en mi corazón...a porta de vidro se abria para uma varandinha e dela para os telhados ao redor. Dos telhados para o céu imenso azul-marinho...noite fria, cavas (vinho espumante!) nas taças, das taças para as mãos, das mãos para os lábios, dos lábios para o corpo, inebriando a mente.
Todos estavam sorrindo, longe de suas casas, contentes pelas novas e inusitadas companhias, admiradores de Barcelona - la ciudad de la liberdad.
Fomos presenteados com a luz do dia. Borrou-se o céu de azul turquesa. No caminho de casa pelas largas avenidas, últimas risadas na noite natalina.

25.12.06

Pelas ruas de Barcelona

si puede mirar el cielo con sus cores rojas y blu en el entardecer...

A cidade tem um brilho das luzes que iluminam as largas avenidas. Imensas calçadas para os pés incassáveis, curiosos, descendo as ramblas, passando por praças, todas elas um tanto desertas, abandonadas pelo frio. A famosa cidade de encantos e movimentos está mais silenciosa nessa época, o metrô segue bem frequentado, cheio na maioria das vezes, mas nas ruas são poucos - os que precisam de mais ar fresco para sentir a vida, os que se iluminam das luzes dos enfeites de natal.

Ou aqueles como eu, que andam com os olhos voando pelos altos das janelas, todas mágicas com sacadas e pequenas varandas charmosas. A arte de Gaudi invade a arquiteura barceloneta, são formas arredondadas, mosaicos, cercas e bancadas que parecem croché feito à mão. Não existem casas, cidade feita de pequenos prédios, muitos, uns colados nos outros, mas todos simétricos, obedecem a uma ordem, ocupam o mesmo espaço nas quadras.

As esquinas não são esquinas, não existe ângulo de noventa graus, prevalece a curva, o que não é linear, o que pode ser mais flexível e não chocar-se com a linha de frente. As ruas com menos calor humano neste início de inverno, preenche-se de música, há sempre aqueles se sentam em alguma praça mais movimentada e fazem florecer sons de seus intrumentos. Há um cara branquinho que parece um russo e toca um bandolim redondo, fazendo uma voz que vem de uma garganta comprimida e uma força do tórax, sua voz é única, seu canto cheio de graça e intensidade, ele está sempre envolvido com sua música folclorista, enquanto sua caixinha de moedas vai sendo engordada pelos passantes e admiradores.

Os espanhóis são criativos, coloridos, vestem cores, desarrumam seus cabelos, pintam as paredes, riem com seus amigos e não pedem licença pra passar, mas também não te empurram, nem te incomodam, nem reclamam. Vivem assim, numa boa e com muito vinho e cerveja na mente!

13.11.06

vivência

"A flor morreu por falta de água"
Essas foram suas últimas duras palavras. Desde que soube que não a encontraria naquela tarde. Ele sente como se tivesse sido abandonado ao relento, permanecendo só, mas tinha grande esperança de que num dia próximo ela aparecesse e o iluminasse, como sempre fizera, durante muitos anos.
Ele vivia com a certeza de que ela cedo ou tarde apareceria lhe trazendo uma surpresa, um doce, uma especiaria ou uma poesia. Ele sabia que no passado podia encontrá-la numa rua ou outra, que à noite passaria pra dormir naquela casa, e que ali lhe contaria os segredos e desejos mais íntimos, que tudo estaria a salvo em sua companhia. Mas ele também sabia que alguma coisa poderia mudar no ano de Saturno...ouvia dizer que era o ano de decisões difícies, de desencontros que poderiam simbolizar a escolha por um caminho inusitado, completamente novo e talvez frio. Ele não quis levar as previsões de Saturno em sua viagem, afinal, repetia sempre que a escolha depende de cada um, não dos astros.
Hoje ele percebe que existe uma força maior que impede que um destino seja o mesmo que o sonhado, porque existem muitas forças que regem cada caminho, sua única e verdadeira força não aplaca todas as outras. No entanto, acredita ainda que a força que ela tem foi capaz de murchar seu coração, outrora tão cheio de cor. Ele não queria ter acreditado em vão. Ele não poderia ter dormido tantas noites sozinho, pensando na certeza da chegada dela, com flores e paixão, com seu cheiro e toda sua presença.
A tristeza passou, resta o vazio, a culpa de quem não cuidou do que valia tanto pra ele. Não quer dizer mais nada, apenas afastar-se de tudo que pode significar a presença dela, daquela que não veio, daquela que não virá.

Ela não quer sentir tristeza de quem não aguou a planta o suficiente por pura distração ou escolha de tempo. Quer também inventar uma explicação pra sua falta de cumplicidade quando os sonhos de um e outro voaram pra universos não-equivalentes. Ela gostaria de ter plantado a sua flor num canteiro onde pudesse estar em companhia de outras, e assim, naturalmente se alimentaria se sol, água da chuva e teria a visita de pássaros sempre. Mas não conseguiu transportar a sua flor, deixou-a no vaso de uma memória longíqua, não conseguiu pensar em suas raízes comprimindo-se, apenas deixou-a ali. Ao relento.
Hoje leu nas entrelinhas as duras palavras de quem se sente sem vida, oco por dentro e feio por fora. Vai fechar os olhos e pensar na flor com amor, para que ela possa reviver em paz, mesmo sem sua companhia.