Um dia eles se falaram por telefone e suas vozes estavam distantes na linha. Cada uma vinha de um lado da estrada que percorriam, cada uma tinha um timbre tao delineado que criava certa melodia. Nao tiveram muito tempo para prosear, trocaram algumas palavras e seguiram seus rumos.
-Fico contente e um pouco triste talvez...
-Por que triste?
-Ah difícil dizer meu caro, a tristeza é senhora...
-Eu estou um pouco triste também
-Acho que eu sinto a sutil brisa desse entristecer,de algo tão bonito. Certa vez eu te disse: "Eu não o toco, para mim ele é sublime, quase um anjo", lembra-se? Vejo que palavras soltas são asas voando em muitas direções [pausa - suspiro]
A paixão revira, por mais que inspire.
- Eu sabia que isso aconteceria. Pude prever nos meus sonhos. Mas sabes tambem que sou um ser quase desprovido da razão, por isso danço.
-Dançaríamos assim
-Já dancei na noite do sim
- E eu na noite sem fim
-Na tarde do talvez [pausa]
Na manhã nasceu enfim,o sol do querubim
cujas asas caíram-se ao voar antes mesmo que pudesse sentir o peso da gravidade e a dor de uma saudade.
-Pois bem, nao temos outra saida, o tempo é o mágico da vez e ha muita agua no mar que existe entre no's.
-Adeus
-Ate' breve.
Despediram-se em silencio.
Lanca-se a brisa de quem ama e dança.
quem sou eu
20.8.08
16.8.08
Flor em caule
Ter-te por perto 'e como acordar no meio da noite depois de um sonho bonito, um sonho de encontro de almas e sorrisos, apenas gestos e olhares, sem palavras. Ter-te por perto 'e abrir os olhos no silencio desta noite e sentir-te proximo, acariciando meus cabelos depois do sonho.
Levanto-me pois despertei-me com tua presenca. Intuo onde ela possa estar nesse momento. Abro a cortina e vejo que esta' amanhecendo. O ceu a leste tem um tom de azul que vai clareando pelos telhados das casas de ruas vazias, umidas e silenciosas. Te sinto ao amanhecer como quando da tua presenca ha poucos dias atras. Olho para baixo, desta mesma janela e avisto a unica flor cujo caule comprido sustentam petalas roseadas bem no canteiro ao lado de casa. A unica flor da rua, bem ao lado da minha janela, da minha nova janela, da minha mais nova casa.
Logo que cheguei, enquanto ainda caminhava pela rua, pensava qual seria a nova casa, ja que todas desta rua sao iguais ou muito parecisas, com algum ornamento na porta que as distinguem de outras portas de outras casas. Avistei a flor e a voz dele que me trazia: "Estamos chegando". -"E' aquela com a flor" pensei. Mas nao era, e sim a casa ao lado. Olho a flor novamente. Agora ela balanca levemente. Talvez seja um pequeno sopro de vento, talvez seja a tua presenca presenteando-me na primeira aurora desta vida deste lado de ca'. Lembro-me dos ceus que percorremos intensamente, dos dias amarelos em que tua musica soava suavemente pelos labirintos meus.
Ter-te por perto e' sentir a respiracao macia, o ar que perpassa por cada orgao, que entra e que sai, preenche e logo esvazia, na sutilidade da expansao, como se expande a luz do amanhecer, calmamente com a plenitude e a beleza de cada instante, de cada parte pequena do corpo, de cada nota na sua infinidade de som.
a flor parece erguer-se em direcao 'a luz que renasce nesta hora de comeco de dia, cuja vastidao vai cedendo lugar ao ceu escuro e misterioso da noite anterior. Os segredos que a noite guarda desmancham-se na sua luz, a luz da aurora.
Miro o fim da rua, l'a de onde o clarao comeca a amarelar-se. Hoje sera' dia de sol. Ter-te por perto e' como sentir a luz; vibrante, necessaria e verdadeira.
Levanto-me pois despertei-me com tua presenca. Intuo onde ela possa estar nesse momento. Abro a cortina e vejo que esta' amanhecendo. O ceu a leste tem um tom de azul que vai clareando pelos telhados das casas de ruas vazias, umidas e silenciosas. Te sinto ao amanhecer como quando da tua presenca ha poucos dias atras. Olho para baixo, desta mesma janela e avisto a unica flor cujo caule comprido sustentam petalas roseadas bem no canteiro ao lado de casa. A unica flor da rua, bem ao lado da minha janela, da minha nova janela, da minha mais nova casa.
Logo que cheguei, enquanto ainda caminhava pela rua, pensava qual seria a nova casa, ja que todas desta rua sao iguais ou muito parecisas, com algum ornamento na porta que as distinguem de outras portas de outras casas. Avistei a flor e a voz dele que me trazia: "Estamos chegando". -"E' aquela com a flor" pensei. Mas nao era, e sim a casa ao lado. Olho a flor novamente. Agora ela balanca levemente. Talvez seja um pequeno sopro de vento, talvez seja a tua presenca presenteando-me na primeira aurora desta vida deste lado de ca'. Lembro-me dos ceus que percorremos intensamente, dos dias amarelos em que tua musica soava suavemente pelos labirintos meus.
Ter-te por perto e' sentir a respiracao macia, o ar que perpassa por cada orgao, que entra e que sai, preenche e logo esvazia, na sutilidade da expansao, como se expande a luz do amanhecer, calmamente com a plenitude e a beleza de cada instante, de cada parte pequena do corpo, de cada nota na sua infinidade de som.
a flor parece erguer-se em direcao 'a luz que renasce nesta hora de comeco de dia, cuja vastidao vai cedendo lugar ao ceu escuro e misterioso da noite anterior. Os segredos que a noite guarda desmancham-se na sua luz, a luz da aurora.
Miro o fim da rua, l'a de onde o clarao comeca a amarelar-se. Hoje sera' dia de sol. Ter-te por perto e' como sentir a luz; vibrante, necessaria e verdadeira.
1.8.08
fios
deita na beleza
que sabe apreciar o coracao.
desliza na cama de sementes;
nela a alma encontra descanso
os dias sao ensolarados
passam com sopro de vento.
revelam os passos em silencio;
calam alguma dor
rastejam lembrancas,
serpentinam memorias lentas.
o amor renasce;
tem gosto de uva
saboreia a saudade,
experimenta a liberdade.
ralenta os anseios;
serena a conquista
beleza
raridade
que sabe apreciar o coracao.
desliza na cama de sementes;
nela a alma encontra descanso
os dias sao ensolarados
passam com sopro de vento.
revelam os passos em silencio;
calam alguma dor
rastejam lembrancas,
serpentinam memorias lentas.
o amor renasce;
tem gosto de uva
saboreia a saudade,
experimenta a liberdade.
ralenta os anseios;
serena a conquista
beleza
raridade
10.7.08
espaco tao maior que o imaginado
todas as noites segue aquele choro contido de quem quer amar demais e nao consegue deixar o peito livre da dor. escorre uma lagrima, escorre a saudade de uma beleza que ficou longe, sentindo-se pequena, embora nao saiba o espaco que ocupa nessas noites de meia lua. deixar pra tras o que esta' no coracao nao simplifica a intensidade da ausencia. um vacuo. uma vastidao. um deserto. um clarao que cega os olhos. o branco que nao deixa cor transparecer. um fica. outro parte. quem leva a escolha assume a tristeza lentamente, raramente sabe se a carrega nas maos ou se nela deita e espera o dia amanhecer. com os punhos cerrados nao quer aceitar a mudanca que caminha embaixo dos pe's. quem assiste a escolha permanece calado. observa com alguma dor, eleva as maos ao alto e talvez ore, talvez chore.
ambos esperam a saudade ir-se com o vazio do tempo que ocupa no peito um espaco tao maior que o imaginado.
ambos esperam a saudade ir-se com o vazio do tempo que ocupa no peito um espaco tao maior que o imaginado.
9.7.08
2.7.08
o que é querer o quê da vida
não quero que muito menos o papa venha me fazer essa pergunta tentando insinuar algum moralismo. a preocupação dos homens deveria girar em torno do bem estar coletivo, da preservação à natureza, da sanação da miséria, do fim à crueldade carnal e logo espiritual. O que querer mais além de aprender para poder ensinar? ensinar é disseminar. disseminar é espalhar sementes, que por sua vez é plantar. se planta se colhe. há beleza maior que essa?
mas hoje não há beleza neste pensamento. não cabe a poesia de viver porque também é preciso questionar umas coisas mesquinhas que saem das bocas de alguns seres. nem todas as pessoas tem o mesmo olhar sobre vida. não mesmo. algumas querem o quê quando outras sabe-se lá o que querem..e mesmo não sabendo o quê exatamente poderiam ao menos respeitar as escolhas.
não quero que muito menos o papa venha me fazer essa pergunta tentando insinuar algum moralismo. a preocupação dos homens deveria girar em torno do bem estar coletivo, da preservação à natureza, da sanação da miséria, do fim à crueldade carnal e logo espiritual. O que querer mais além de aprender para poder ensinar? ensinar é disseminar. disseminar é espalhar sementes, que por sua vez é plantar. se planta se colhe. há beleza maior que essa?
mas hoje não há beleza neste pensamento. não cabe a poesia de viver porque também é preciso questionar umas coisas mesquinhas que saem das bocas de alguns seres. nem todas as pessoas tem o mesmo olhar sobre vida. não mesmo. algumas querem o quê quando outras sabe-se lá o que querem..e mesmo não sabendo o quê exatamente poderiam ao menos respeitar as escolhas.
28.6.08
O amor ensina
Outro dia um cara que só me conhece dos anos em que nos encontrávamos no caminho para a faculdade, me perguntou, segurando minha cabeça: "O que você quer da sua vida garota?" Aquela pergunta vinha para me assustar, mas pelo contrário, a resposta foi imediata: "Eu quero viver apenas". Deposi seguiram-se horas de discussões intermináveis sobre o futuro das velhas e novas gerações, sobre a tecnologia nos países desenvolvidos, sobre a modernidade na China, sobre a inconsciência política dos problemas no Brasil. Ele passou anos da vida acreditando na ambição, ensinando os outros a terem ambição, porque afinal, conseguir as coisas é o objetivo do desenvolver da humanidade. Mas dentre todos os questionamentos que fizemos, o que mais me deixou abismada foi a pergunta que ele me havia feito. Como assim? O que ele quer insinuar? Eu estou partindo para mais uma viagem no exterior, a segunda em menos 10 meses após eu ter regressado de uma vivência que fiz durante um ano, num país da Europa. Não que eu ache que a Europa seja a solução dos milagres, o paraíso dos deuses, a perfeição dos homens. Nada disso. Muito pelo contrário, a perfeição é tão superficial que às vezes dá nojo. Mas existe um elo entre uma vida intelectual estagnada e a procura sendenta por vida mais pulsante que me deixou intrigada e talvez esteja me fazendo voltar pra lá. Porque as pessoas de lá não sabem o que é miséria social e pureza de espírito. Nem o que é lavrar a terra com os próprios pés. Assim como os brasileiros não sabem o que é tranquilidade social e respeito mútuo. Ainda preciso trocar muito com eles para sentir que ambos os lados estejam aprendendo e melhorando com essa troca. Ninguém pode ser tão bitolado a ponto de pensar que abrir os olhos pra cultura do outro é insignificante. Quase respondi a ele com uma outra pergunta, "e quem faz todo dia a mesma coisa, pega o mesmo ônibus, senta na frente do mesmo computador, exerce os mesmos programas, volta pra casa no mesmo horário de trânsito e assiste as mesmas novelas, quer o quê da vida?" Oras, aquilo me intrigou. Mas o que sucedeu-se não foi a pergunta, foi aquela resposta simples e imediata, que veio precedida da voz dele: "Você precisa ter ambição. Você precisa ter sonhos." Eu já sabia que ele era meio equivocado quanto à sua forma de julgar a minha vida, mas a partir dessas palavras eu percebi que ele não alimentava algo fundamental: seu próprio espírito. E quando eu falei pra ele cuidar do espírito ele disse: "Eu não ligo pra isso, ando meio sem tempo". Então eu não quis insistir e deixei de pensar que talvez eu estivesse errada mesmo, sem sequer zelar por algum tipo de ambição de "coisas". Dessa vida, nada se leva. O amor fica. O amor ensina.
1.6.08
Tecido
são verdades escondidas no tecido colorido
tudo o que o olhar compreende
tudo que aos olhos encanta
são dons que os ouvidos orientam
por entre o silêncio do anoitecer
na claridade da lua que se põe
quando a solaridade do pensar
esvai-se na beleza das lembranças
são como anjos que sobrevoam
o quarto aquecido
por aquele que nele respira
preenchendo o próprio espaço
com a alma que lhe abita
são como divindades espelhadas
na luminosidade do luar
são estrelas unidas
arco-íris brilhando
arqueado em recordar-se
são riquezas como pérolas
acordar em companhia
aspirar a solenidade de mais um dia
agradecer à proteção evocada de cima
para a benção receber
quando o ar se inspira.
tudo o que o olhar compreende
tudo que aos olhos encanta
são dons que os ouvidos orientam
por entre o silêncio do anoitecer
na claridade da lua que se põe
quando a solaridade do pensar
esvai-se na beleza das lembranças
são como anjos que sobrevoam
o quarto aquecido
por aquele que nele respira
preenchendo o próprio espaço
com a alma que lhe abita
são como divindades espelhadas
na luminosidade do luar
são estrelas unidas
arco-íris brilhando
arqueado em recordar-se
são riquezas como pérolas
acordar em companhia
aspirar a solenidade de mais um dia
agradecer à proteção evocada de cima
para a benção receber
quando o ar se inspira.
17.5.08
Re-trato
Ela esperava por aquela noite de silêncio e lua na janela. Queria desafiar sua intuição que previa sombra e luz, calor e arrepio, mãos e pés naquela noite sem fim. Também sabia que tudo findaria, talvez alguma sensação pudesse prolongar-se pelo infinito de seu corpo, pelo espiralar dos seus desejos. Ela queria a espiral no centro de seu corpo, abaixo de seu umbigo, pulsando quente, tremendo de energia.
Quando chegou no quarto dele, percebeu seus desejos esvaindo-se e sua imediata tentativa de resgatá-los para que não saíssem pela ampla janela, cuja luz do universo refletia o tatame de palha bem ao lado do colchão resistente no chão. Avistou um quadro embaixo da mesa, uma silhueta de mulher nua deitada e um homem de costas dando suas coxas para que a mulher apoiasse sua cabeça. A mulher tinha contornos bonitos. O homem, coitado, mais parecia um bicho indefeso. Porém, não há coitados nessa história, nem culpados, nem vítimas, nem nada. Haviam duas pessoas que queriam experimentar. Talvez uma quisesse mais que a outra, mas isso ninguém pode medir com termômetros.
Procurando conversar baixinho com seus desejos que já tinham pulado pela janela, ela pensou que provocaria suas vontades intimas, afinal o que mais queria era sentir a provocação dele se enrroscando nela, passando a língua em seu pescoço. No início não foi assim. Ele estava afoito, quis logo arrancar sua blusa, beijar seus lábios de qualquer jeito, respirava ofegante, queimava. Suportar o incendio é quase impossível, improvável, ou se corre dele ou nele joga-se água. Usou suas mãos frias e úmidas para acalmá-lo, para fazê-lo sentir cada parte de seu corpo e do dela sem pegar fogo. Ela temia virar carvão, não queria, não naquela noite, não com ele ali.
A noite foi mais branda quando tudo virou brasa e vapor. Atingiram estados mais sutis e puderam fazer amor com algumas sensações que o corpo sente quando está ouvindo os toques atentamente. Ela achava estranho não olhar nos seus olhos, nem sequer na sua face. Não conseguia. Não ouvia seus gemidos de prazer, se é que existiam ali. Sentiu prazer mas não soube explicar sua tranquilidade, no fundo pensou que pudesse sentir mais. Mas a noite não permitia culpados. Nem se culpou, nem a ele pela ausência de algo mais intenso. Mais erótico. Mais sedutor.
Dormiram sem palavras. Sem afagos. Levemente abraçados. Não se olharam. Não sorriram um ao outro. Ela continuava tranquila. Nem triste nem feliz. Em repouso. Ele talvez nem pensasse em nada, logo sua respiração ficou profunda e adormeceu.
Quando chegou no quarto dele, percebeu seus desejos esvaindo-se e sua imediata tentativa de resgatá-los para que não saíssem pela ampla janela, cuja luz do universo refletia o tatame de palha bem ao lado do colchão resistente no chão. Avistou um quadro embaixo da mesa, uma silhueta de mulher nua deitada e um homem de costas dando suas coxas para que a mulher apoiasse sua cabeça. A mulher tinha contornos bonitos. O homem, coitado, mais parecia um bicho indefeso. Porém, não há coitados nessa história, nem culpados, nem vítimas, nem nada. Haviam duas pessoas que queriam experimentar. Talvez uma quisesse mais que a outra, mas isso ninguém pode medir com termômetros.
Procurando conversar baixinho com seus desejos que já tinham pulado pela janela, ela pensou que provocaria suas vontades intimas, afinal o que mais queria era sentir a provocação dele se enrroscando nela, passando a língua em seu pescoço. No início não foi assim. Ele estava afoito, quis logo arrancar sua blusa, beijar seus lábios de qualquer jeito, respirava ofegante, queimava. Suportar o incendio é quase impossível, improvável, ou se corre dele ou nele joga-se água. Usou suas mãos frias e úmidas para acalmá-lo, para fazê-lo sentir cada parte de seu corpo e do dela sem pegar fogo. Ela temia virar carvão, não queria, não naquela noite, não com ele ali.
A noite foi mais branda quando tudo virou brasa e vapor. Atingiram estados mais sutis e puderam fazer amor com algumas sensações que o corpo sente quando está ouvindo os toques atentamente. Ela achava estranho não olhar nos seus olhos, nem sequer na sua face. Não conseguia. Não ouvia seus gemidos de prazer, se é que existiam ali. Sentiu prazer mas não soube explicar sua tranquilidade, no fundo pensou que pudesse sentir mais. Mas a noite não permitia culpados. Nem se culpou, nem a ele pela ausência de algo mais intenso. Mais erótico. Mais sedutor.
Dormiram sem palavras. Sem afagos. Levemente abraçados. Não se olharam. Não sorriram um ao outro. Ela continuava tranquila. Nem triste nem feliz. Em repouso. Ele talvez nem pensasse em nada, logo sua respiração ficou profunda e adormeceu.
18.4.08
pérolas da vida
As tragetórias que fazem o maior sentido na nossa vida: acordar num dia em que tudo parece simples, nada exige um mínimo esforço seu. Nesse mesmo dia, perceber que existe uma emoção que vem de dentro e que faz o coração pulsar de uma forma mais intensa, chega a ressoar no peito. O dia vai passando e a realização está pra acontecer. Mas no fundo já aconteceu. O momento de uma estréia, um lançamento, uma publicação, uma inauguração enfim, é sempre a concretização de algo que vem acontecendo na sua vida há algum tempo, porém algumas pessoas nem se deram conta, nem mesmo você talvez. Os dias são feitos de sonhos. As noites também. Os meses passam e os sonhos acordam em personagens reais. O que um dia foi nuvem de pensamentos e delírios ou simplesmente desejo comedido, no outro tornou-se presente. Graças à sua tragetória, aos passos de cada dia. Descobrir os passos é fantástico. É bonito. É simples e verdadeiro.
8.4.08
Silêncio
Querem apenas o silêncio.
O silêncio do amanhecer
na eterna busca do ser
O silêncio de uma manhã
com luz do sol e mente sã
O silêncio de um pássaro cantante
no céu com seu vôo rasante
O silêncio de um sopro de vento
que anuncia a chegada do tempo
O silêncio do lento respirar
O silêncio do coração a bater
O silêncio da mente ao sentir
Querem apenas silenciar.
Pedem apenas licença
para o silêncio se assentar.
O silêncio do amanhecer
na eterna busca do ser
O silêncio de uma manhã
com luz do sol e mente sã
O silêncio de um pássaro cantante
no céu com seu vôo rasante
O silêncio de um sopro de vento
que anuncia a chegada do tempo
O silêncio do lento respirar
O silêncio do coração a bater
O silêncio da mente ao sentir
Querem apenas silenciar.
Pedem apenas licença
para o silêncio se assentar.
20.3.08
nube
Aprì la porta di casa, tutto era silenzio. “Ecco” pensò “la casa è vuota”. Entrò nel bagno e fece una doccia. Dopo la doccia, ancora nuda, spense la luce, chiuse la porta della sua camera anche se sapeva che non c´era nessuno lì. Mise il disco che prese in prestitto dal suo migliore amico, un duo di clarinetto e chitarra classica. Si sdraiò sul letto e sentì tutto il disco mentre pensava nelle onde sonore, nelle dita sulle corde, nel soffiare che veniva dal cuore, nella musicalità dei suoi pensieri.
Chiuse gli occhi. Si ricordò delle notti che passava a casa del suo ultimo amore. Quello che dormiva nudo e si svegliava sorridendo ormai i suoi occhi non erano ancora aperti. Prima di addormentarsi, a lui piaceva sentire la musica che veniva dalla chitarra e del clarinetto, fusi tutti i due insieme, a fare um bordello delizioso.
Pocche lacrimme le hanno bagnata. I ricordi ognitanto vogliono che il cuore dica alcune belle oppure tristti parole. Decise di fare una copia del disco per spedirglielo. Sul disco, verrà scritto: “Ascoltalo nudo al buio”’.
Chiuse gli occhi. Si ricordò delle notti che passava a casa del suo ultimo amore. Quello che dormiva nudo e si svegliava sorridendo ormai i suoi occhi non erano ancora aperti. Prima di addormentarsi, a lui piaceva sentire la musica che veniva dalla chitarra e del clarinetto, fusi tutti i due insieme, a fare um bordello delizioso.
Pocche lacrimme le hanno bagnata. I ricordi ognitanto vogliono che il cuore dica alcune belle oppure tristti parole. Decise di fare una copia del disco per spedirglielo. Sul disco, verrà scritto: “Ascoltalo nudo al buio”’.
Per Maria
Se la vita fosse una canzone, canterei con tutta la voglia che l´amicizia è como un fiorellino che si sboccia quando viene la primavera, che sa il valore di una stagione, che gode i profummi portati dal vento.
Nel ritornelo ripeterei che l´amicizia conosce la durata di un tempo, sa che i periodi distanti sono fatti d´inverno, nebbia bianca coprendo la vita, parole ghiacciate dalla pioggia di neve.
Come una canzone d´amore, direi che l´amore di un amico non muore mai, riposa quando il tempo non lo permette di vivere con intensità e respiri profondi, si sveglia appena vede la luce, strizza la sua rinascita appena ascolta la voce soffiata dall´altro cuore che gli pensa.
E come una vera canzone, non sarebbe mai finita. Una volta cantata resta incantata per più di una vita.
Nel ritornelo ripeterei che l´amicizia conosce la durata di un tempo, sa che i periodi distanti sono fatti d´inverno, nebbia bianca coprendo la vita, parole ghiacciate dalla pioggia di neve.
Come una canzone d´amore, direi che l´amore di un amico non muore mai, riposa quando il tempo non lo permette di vivere con intensità e respiri profondi, si sveglia appena vede la luce, strizza la sua rinascita appena ascolta la voce soffiata dall´altro cuore che gli pensa.
E come una vera canzone, non sarebbe mai finita. Una volta cantata resta incantata per più di una vita.
11.3.08
vira dança magia
o sanfoneirinho
tem coração que toca
com a delicadeza das mãos
tem o balanço das ondas
que soam dentro de cada nota
tem nos olhos - quando os fecha,
a sutil beleza
da música que vagueia
por todos os cantos seus.
com a delicadeza das mãos
tem o balanço das ondas
que soam dentro de cada nota
tem nos olhos - quando os fecha,
a sutil beleza
da música que vagueia
por todos os cantos seus.
nuance
Abriu a porta de casa, tudo era silêncio. "Ufa!" pensou "a casa está vazia". Entrou no banho e depois do banho, ainda nua, apagou a luz e fechou a porta de seu quarto, mesmo sabendo da ausência de pessoas por ali. Colocou o disco que pegou emprestado do seu melhor amigo, um duo de clarinete e violão. Encostou a cabeça no travesseiro e ouviu o disco inteiro, pensando nas ondas sonoras, nos dedos sobre as cordas, no sopro que vem de dentro, na musicalidade de seus pensamentos.
Fechou os olhos. Relembrou suas noites na casa do seu último amor, daquele que dormia nu e acordava sorrindo, dando risadas de olhos ainda fechados. Antes de dormir, ele gostava de ouvir o som do violão e do clarinete juntos, numa algazarra sem fim.
Chorou poucas lágrimas. A lembrança faz o coração dizer algumas palavras tristes e tão bonitas às vezes. Decidiu fazer uma cópia do disco e enviá-lo pelo correio, e na capa com os nomes dos músicos escreveu: "Escute-o nu, no escuro".
Fechou os olhos. Relembrou suas noites na casa do seu último amor, daquele que dormia nu e acordava sorrindo, dando risadas de olhos ainda fechados. Antes de dormir, ele gostava de ouvir o som do violão e do clarinete juntos, numa algazarra sem fim.
Chorou poucas lágrimas. A lembrança faz o coração dizer algumas palavras tristes e tão bonitas às vezes. Decidiu fazer uma cópia do disco e enviá-lo pelo correio, e na capa com os nomes dos músicos escreveu: "Escute-o nu, no escuro".
na consulta
Sentada com as pernas cruzadas bem em frente ao seu terapeuta, ela perguntou ousadamente:
- Já se apaixonou por alguma paciente tua?
Ele olhou para o lado, depois voltou seu olhar para ela e devolveu a pergunta com um sorriso no canto da boca, aproximando-se de seu semblante:
- E você, já se apaixonou por algum de seus alunos?
Com o sorriso de lábios fechados, ela nem hesitou:
- Já!
- E então? o que aconteceu? - perguntou ele com interesse.
- Nada! - veio a resposta leve junto com um levantar de ombros.
- Mas...a paixão não foi declarada? - quis saber ele enrrugando a testa.
Com um risinho suspirante e uma longa piscada, respondeu:
- A paixão é declarada a todo momento quando se a tem. Nem sempre em palavras, talvez muito menos em palavras, o olhar sabe dizer. Basta que o outro saiba decifrar e receber o sentimento que escapa pelos olhos. Então, já não depende mais de quem entrega tudo aquilo, mas de quem recebe, se é que recebe, se é que quer receber.
Ele, um pouco perplexo diante da resposta disse olhando pra baixo:
- Muito bem. Nos vemos na próxima semana, espero que você volte.
- Sim. Até logo.
Ela saiu pela rua pensando em telefonar a um amigo que queria ver. Não conseguiu encontrá-lo em casa e não respondeu ao celular. Desceu a ladeira pensando que os homens, independente de seu tamanho, vão sempre baixar os olhos para uma mulher que sabe o que quer.
- Já se apaixonou por alguma paciente tua?
Ele olhou para o lado, depois voltou seu olhar para ela e devolveu a pergunta com um sorriso no canto da boca, aproximando-se de seu semblante:
- E você, já se apaixonou por algum de seus alunos?
Com o sorriso de lábios fechados, ela nem hesitou:
- Já!
- E então? o que aconteceu? - perguntou ele com interesse.
- Nada! - veio a resposta leve junto com um levantar de ombros.
- Mas...a paixão não foi declarada? - quis saber ele enrrugando a testa.
Com um risinho suspirante e uma longa piscada, respondeu:
- A paixão é declarada a todo momento quando se a tem. Nem sempre em palavras, talvez muito menos em palavras, o olhar sabe dizer. Basta que o outro saiba decifrar e receber o sentimento que escapa pelos olhos. Então, já não depende mais de quem entrega tudo aquilo, mas de quem recebe, se é que recebe, se é que quer receber.
Ele, um pouco perplexo diante da resposta disse olhando pra baixo:
- Muito bem. Nos vemos na próxima semana, espero que você volte.
- Sim. Até logo.
Ela saiu pela rua pensando em telefonar a um amigo que queria ver. Não conseguiu encontrá-lo em casa e não respondeu ao celular. Desceu a ladeira pensando que os homens, independente de seu tamanho, vão sempre baixar os olhos para uma mulher que sabe o que quer.
6.12.07
casa de maria

a casa de Maria
tem varanda com flor
abélia, lírio, azulzinha
vaso de margarida
canteiro de rosa
miúdo jasmim
o jardim da casa de Maria
tem árvore cerejeira
castanha, castanheira
limoeiro e oliveira
nasce uva na parreira
na horta da mãe de Maria
cresce pomodorino verde e vermelho
pimentinha e pimentão
alcachofra tamanho pequeno
salsinha o verão inteiro
da janela de casa
Maria vê a montanha
alta e verdejante
de Borgo São Lourenço
branca com a neve
quando cai o inverno
da porta da cozinha
late o cão que Maria cria
tem pêlo escuro
das noites sem lua
tem olhos grandes
pra ver a rua
acena do portão
ao vilarejo Maria
é Lucco de Mugello
onde passa seus dias
de descanso
leva os amigos
que acreditam que paz
e passarinhos podem reinar
por todos os cantos.
em sua terra ela ainda muito ressoa

Ela repousa sob os braços que se modelam para abraçá-la.
Pode ser boneca por ser adorada pelos que a têm no colo. É uma senhorita com elegância e respeito que uma donzela gosta de instruir. Esbanja charme e junto com ele esparrama beleza e trejeitos tão únicos que se interceptam com a velocidade dos dedos mas também com o som de um lento respirar. Ela pode ser vermelha se for sanfona, ele pode ser escuro se for um acordeon.
Tão peculiar e complexo, esse instrumento vem chamar atençao do olhar do passante, do passante que anda, passeia por muitos países e encontra em todos os foles de povos diferentes, a sua unidade e também a sua diversidade. Ela é única. Ele só pode ser tocado se houver um casamento; quando casam movimentos do corpo, de cada parte pequena, dedos, mãos, num crescente ante-braços, bíceps, ombros, escápula, dorso e seu segmento ascendente ao pescoço. Casam-se pensamentos e capacidades, sentimentos e improvisos, melodias e harmonias, timbres e tons, amor e dor, dança e lentidão, sonho e sonorização. É o casamento de todos os elementes presentes, oriundos da comunhão harmônica, que fica perto do coração.
O carregar da sanfona na Itália traz a sensação de que é a melhor companhia para uma praça com sol, para uma rua de pedras com pés que pisam todos os chãos, para um céu que se abre em azul e sobrevoa o tempo que existe na música em execução. É bonito de ver os mais velhos com sabedoria a distraírem-se com ela no colo, ouvindo suas próprias canções, que provavelmente continuam a dar sequência à uma tradição de gerações, e que permanece no seu berço madrigal, popular e oral. Está sempre nos braços dos que acariciam o povo sem tocá-los efetivamente, mas cobrindo-os com uma manto de saudação.
24.11.07
grão

caminho da areia, infinito e incessante, caminho dos grãos dourados, de horizonte que megulha nas pupilas do olhar, caminho da estrada que se desmancha, vento de poeira que levanta, marcas das pegadas que se desfazem e o coração fica eterno na lembrança dos passos, a companhia dele que caminhava bem atrás de cada passo seu, sem titubear, esparramando os grãos que a areia desordena, deixando-os escorrer soltos na montanha repleta de memórias de pés, de almas, de céu azul, são as inspirações perfeitas daqueles que se amam, que não se enganam, que atravessam o monte, a areia, e não afundam no pensar, perfazem a travessia sem dor, se com dor, alimentam-se de cumplicidade, abastem-se de água do espírito, dormem abraçados com os sonhos embalados, tecem a certeza dos laços, acordam dentro do sorriso do pleno instante, cama de areia, até se fosse de pedra com os corpos latentes unidos, de pérola seria, qualquer caminho seria o mesmo que eles quisessem trilhar, qualquer deserto preencheria a vastidão de um sonhar, nenhum coração sentiria a solidão de não estar, a verdadeira dor do distanciar.
13.11.07
Lua Cheia

Luz, Sombra e Clara estavam perplexas diante dos acontecimentos noturnos de uma praça outrora tão bem frequentada. Falavam baixo as memórias de quem muito ouviu conversas e estórias daqueles que ali se sentaram nas noites de luar, casais românticos nas noites sem luar (noites escurinhas..), crianças que traziam seus telescópios nas noites de lua crescente e davam risada imaginado que estariam vendo a lua aumentar de tamanho lentamente. Ouviram os lamentos de tantos tristes e solitários nas noites de lua minguante e ultimamente, o silêncio permanecia nos bancos vazios, os mesmos bancos que apoiavam traseiros distintos em suas formas, consistência e..volume.
"A garota com laços de fita violeta e caderno cor de setim vinha sempre ao escurecer, escrevia seus contos diários em voz alta, as mais lindas estórias de desencontros que significavam o destino pra ela reservado" disse Sombra. "Ela sentava-se embaixo de mim, acendia uma lanterninha e reconstruía os fatos inserindo julgamentos pessoais. Nada na sua vida poderia ter sido ao acaso, criava as mais profundas explicações para os acontecimentos até os mais corriqueiros. Aprendi uma vez que sua intuição fazia parte do desenrolar de suas escolhas, no fundo ela sempre sabia que aquilo poderia dar certo ou não, se tivesse realmente escutado o que já intuía desde o princípio."
"Sábia menina" - disse Luz "irradiava sabedoria quando refletia sobre seus caminhos...também me lembro daquele velho senhor que todas as manhãs vinha sentar-se à minha frente, fechava os olhos e, depois de muito tempo, descobri que ele meditava". Luz mirou o horizonte ao longe e continuou: "Depois do silêncio, ele entoava umas canções que cantavam um espírito bom, um sentimento simples, um gesto verdadeiro..depois de cantar sorria pro céu e balançava o dorso sentado pra lá e pra cá."
Enquanto Luz e Sombra alternavam suas lembranças, Clara viu-se absorta em seus pensamentos mas logo fez parte da roda: "Tinha um garoto que vinha na madrugada, com latinhas semi-cheias de alguma cerveja importada. Deitava-se no banco e ria de suas travessuras na noite, suas conquistas falidas e palavras desmedidas, depois ficava sério consigo mesmo, dizia que não seria jamais alguém admirável mas desprezível, porque sempre desprezara as pessoas que não riam com ele." Olhou para Sombra e seguiu adiante: "Quando o dia clareava, ele se levantava com os olhos meio enrugados, coçava os cabelos e estendia os braços como num espriguiçar, em seguida, soltava um som junto com sua inspiração e rumava em direção à Sombra e depois à estrada logo adiante".
O que fez com que esses personagens reais desaparecessem daquele cenário tão perfeito pra eles, era a resposta que buscavam os três que, todos os dias ali estavam e faziam parte, de alguma maneira, do universo exterior de todos eles.
"Talvez as pessoas estejam sem tempo pra vir aqui, elas sentem-se cansadas e precisam
percorrer outros caminhos que não se aproximam deste onde estamos" acrescentou Luz. "Ah, mas o tempo pode tornar-se seu companheiro e acho que essas pessoas estão com preguiça de refletir, parar um pouco pra sentir o vento e encontrar outros amigos que se sentam no banco ao lado. Elas perderam a compreensão do que pode trazer-lhes sabedoria pelo simples fato de saber sentir o silêncio" emendou Sombra.
Clara, como sempre absorta em suas divagações, murmurou: "Os espaços estão sempre abertos, o tempo está sempre presente, a Luz, a Sombra vão sempre complementar-se nos caminhos, mas as pessoas estão incoscientes, não conseguem reconhecer que o que elas buscam e fazem todos os dias é o próprio sonho se realizando, no tempo que elas têm como companhia." E no silêncio da noite de lua cheia, repousaram como há muitos anos haviam feito.
12.11.07
cartas com amor
" "Chiara é, sem dúvidas a mulher mais extraordinária que possa ter entrado na minha vida" foram frases por mim escritas numa carta que acabei de enviar a um grande amigo antes de vir aqui escrever-te.
Não é uma frase de efeito para vangloriar alguém, nem um modo de dizer algo de bonito pra deixar o outro feliz ou mesmo exaltar algo bom que sinto dentro de mim. É somente assim na minha cabeça, claro, forte e simples. Tu, Chiara, não saberás jamais o que trouxeste para minha vida e me fazes rir quando tu me dizes que tenho tanta daquela energia quando faço música ou sorrio. Foste tu quem a deixaste muito mais segura e larga dentro de mim. A maior beleza mesmo é que esta energia tão presente e real em nenhum momento se torna presunçosa, mas traz-me sempre tranquilidade, quando estou sentado tocando e sorrindo, mesmo se tu não estás lá, quando estou cozinhando lentamente aquele ragú que tanto fazia quando tu tavas aqui...este é o presente mais bonito que alguém poderia ter-me dado - um tanto de confiança no meu próprio corpo e o mais incrível, deixar-me ir completamente.
Agora exagero.
Escrever-te ultimamente é como escrever a deus, com a intimidade e a sinceridade que a ninguém mais um dia concedi. Contigo posso contar tudo com espontaneidade e eu escreveria tudo até amanhã e ainda te sussurraria minhas histórias inventadas, somente pra ti...
Agora paro de exagerar.
Aquilo que tu me escreves é música que ressoa de todos os ângulos e acho que ninguém me toca suas canções com tu as tocas. Eu penso em ti de todas as formas possíveis, sem limites, ou sem vestidos..
Estes dias comecei a escrever-te outras cartas e espero que elas cheguem antes que dois anos se passem!
Também procuro levar-te em meus passeios pelo parque perto de casa, como quando olhávamos pra água, pras gaivotas e patos à beira do lago, sob esse céu azul de milagres em novembro, laranja de nuvens ao entardecer de outono. Depois abro os olhos e esqueço de sonhar.
Carrego-te aqui dentro, sempre intacta assim como certas flores que florescem somente depois de cem anos.
Despeço-me então, com este abraço longo longo,
com beijos em teu corpo,
com tantas outras coisas.
Do teu admirador secreto,
A."
Não é uma frase de efeito para vangloriar alguém, nem um modo de dizer algo de bonito pra deixar o outro feliz ou mesmo exaltar algo bom que sinto dentro de mim. É somente assim na minha cabeça, claro, forte e simples. Tu, Chiara, não saberás jamais o que trouxeste para minha vida e me fazes rir quando tu me dizes que tenho tanta daquela energia quando faço música ou sorrio. Foste tu quem a deixaste muito mais segura e larga dentro de mim. A maior beleza mesmo é que esta energia tão presente e real em nenhum momento se torna presunçosa, mas traz-me sempre tranquilidade, quando estou sentado tocando e sorrindo, mesmo se tu não estás lá, quando estou cozinhando lentamente aquele ragú que tanto fazia quando tu tavas aqui...este é o presente mais bonito que alguém poderia ter-me dado - um tanto de confiança no meu próprio corpo e o mais incrível, deixar-me ir completamente.
Agora exagero.
Escrever-te ultimamente é como escrever a deus, com a intimidade e a sinceridade que a ninguém mais um dia concedi. Contigo posso contar tudo com espontaneidade e eu escreveria tudo até amanhã e ainda te sussurraria minhas histórias inventadas, somente pra ti...
Agora paro de exagerar.
Aquilo que tu me escreves é música que ressoa de todos os ângulos e acho que ninguém me toca suas canções com tu as tocas. Eu penso em ti de todas as formas possíveis, sem limites, ou sem vestidos..
Estes dias comecei a escrever-te outras cartas e espero que elas cheguem antes que dois anos se passem!
Também procuro levar-te em meus passeios pelo parque perto de casa, como quando olhávamos pra água, pras gaivotas e patos à beira do lago, sob esse céu azul de milagres em novembro, laranja de nuvens ao entardecer de outono. Depois abro os olhos e esqueço de sonhar.
Carrego-te aqui dentro, sempre intacta assim como certas flores que florescem somente depois de cem anos.
Despeço-me então, com este abraço longo longo,
com beijos em teu corpo,
com tantas outras coisas.
Do teu admirador secreto,
A."
31.10.07
Sbalordita
O desafio de recomeçar...todo começo é um arremesso, eu já me repetia isso desde os tempos mais simples, quando arremeçar era lançar mão dos medos, dos embaraços, das paixões escondidas. Hoje o arremeço é conseguir denifir o que o peito quer decifrar, qual das paixões o peito quer viver com mais intensidade ou qual delas ele poderia viver com satisfação.
Depois de realizar um grande sonho, será que é preciso acordar? de um sonho não se pode emendar em outro, depois em outro e ir até o infinito? parece que a parada pela terra é certeira nesse trajeto, parece que nenhuma viagem possa ser tão longa que não te permita uma pausa para um café.
Mas hoje a paragem não é em qualquer outro lugar. É no porto das lembranças mais vividas, mais seguras, de quase uma vida inteira, onde os pés pisaram muitas vezes, onde o pensamento esteve a maior parte do tempo, onde os laços foram criados com amor e tantas sementes semeadas com extidão. Ou quase.
Voltar para casa talvez nos traga um pouco de afeto quando estamos distantes demais, quando acostumamos com a humanidade dispersa pelo mundo e (re)voltada com os próprios conceitos e preceitos. Independência é relativa, seremos eternos dependentes do amor nosso e de outrem. Mas depender significa precisar? ou querer? ou saber que existe e que basta a existência? talvez a existência não baste, nenhuma pessoa quer ver longe quem ama. Quando pisei na minha terra, soube de muitas mortes que lágrimas em mim não escorreram como forma de socorrer-me de algum sofrimento. O desapego com a existência pode assustar às vezes, pode fazer a mente querer reagir ao contrário, tentando buscar o que ela nem deu por perdido.
O que parece ter-se perdido são todos os sonhos dentro do sonho maior. Aquelas cores e sons que ali estiveram durante todo o tempo que durou. Eu sei que nada se perdeu, tudo está sendo transformado, mas ainda não se sabe muito bem em que..para onde vai, em qual gaveta do armário que a vida dispõe. Espero que num armário ventilado, pra não mofar nunca..
Depois de realizar um grande sonho, será que é preciso acordar? de um sonho não se pode emendar em outro, depois em outro e ir até o infinito? parece que a parada pela terra é certeira nesse trajeto, parece que nenhuma viagem possa ser tão longa que não te permita uma pausa para um café.
Mas hoje a paragem não é em qualquer outro lugar. É no porto das lembranças mais vividas, mais seguras, de quase uma vida inteira, onde os pés pisaram muitas vezes, onde o pensamento esteve a maior parte do tempo, onde os laços foram criados com amor e tantas sementes semeadas com extidão. Ou quase.
Voltar para casa talvez nos traga um pouco de afeto quando estamos distantes demais, quando acostumamos com a humanidade dispersa pelo mundo e (re)voltada com os próprios conceitos e preceitos. Independência é relativa, seremos eternos dependentes do amor nosso e de outrem. Mas depender significa precisar? ou querer? ou saber que existe e que basta a existência? talvez a existência não baste, nenhuma pessoa quer ver longe quem ama. Quando pisei na minha terra, soube de muitas mortes que lágrimas em mim não escorreram como forma de socorrer-me de algum sofrimento. O desapego com a existência pode assustar às vezes, pode fazer a mente querer reagir ao contrário, tentando buscar o que ela nem deu por perdido.
O que parece ter-se perdido são todos os sonhos dentro do sonho maior. Aquelas cores e sons que ali estiveram durante todo o tempo que durou. Eu sei que nada se perdeu, tudo está sendo transformado, mas ainda não se sabe muito bem em que..para onde vai, em qual gaveta do armário que a vida dispõe. Espero que num armário ventilado, pra não mofar nunca..
10.7.07
raggionando sulla vita in Italia
Os italianos tem um certo comodismo diante da vida, são um tanto provincianos e querem tranquilidade. Ainda se apegam muito a certas regras e comportamentos morais o que talvez seja o peso da historia que têm, a tradiçao da família, de querer casar, ter um trabalho, um carro..o lado legal disso é a união dos casados e dos filhos, do famoso romantismo, a paixão profunda, mas tambem o apego excessivo, o ciume, "apossamento". Mesmo os meus amigos mais entusiasmados com a vida, sempre acreditam que as coisas são difíceis ou quase impossíveis.
"gente querendo ser amada
sem saber por onde começar"
Viver em outro país traz a sensação de quanto é bom estar em casa com quem temos afinidade, com quem tem a mesma energia boa e procura viver ou lutar com o rei que mora dentro si.
Aqui, tantos rostos expressando uma não-violência de querer estar cômodo e passar o inverno dormindo e o verão deitado na grama, porque afinal por aqui existe uma forma mais individual de se viver, contanto que um possa se sentir confortável onde está...ou contanto que possa reclamar tanto até nao se suportar mais e ir assistir tv. A vida de quem não é artista ou estudante inteligente, é sempre a mesma,
"e vejo que isso é estar desalienado do nosso tempo
nosso tempo-História e nossa história tb".
Mas em meio à minha desalienação eu encontro a essência de perceber que cada dia pode te ensinar algo, se você quiser aprender, senão pode continuar tudo igual. Cada pessoa pode ter um significado imortal se a sinceridade o permitir. O coração precisa estar sempre pulsando certeiro para que te dê forças pra acreditar que o que parece difícil talvez nem o seja e o que parece impossível, realmente nao o é.
"gente querendo ser amada
sem saber por onde começar"
Viver em outro país traz a sensação de quanto é bom estar em casa com quem temos afinidade, com quem tem a mesma energia boa e procura viver ou lutar com o rei que mora dentro si.
Aqui, tantos rostos expressando uma não-violência de querer estar cômodo e passar o inverno dormindo e o verão deitado na grama, porque afinal por aqui existe uma forma mais individual de se viver, contanto que um possa se sentir confortável onde está...ou contanto que possa reclamar tanto até nao se suportar mais e ir assistir tv. A vida de quem não é artista ou estudante inteligente, é sempre a mesma,
"e vejo que isso é estar desalienado do nosso tempo
nosso tempo-História e nossa história tb".
Mas em meio à minha desalienação eu encontro a essência de perceber que cada dia pode te ensinar algo, se você quiser aprender, senão pode continuar tudo igual. Cada pessoa pode ter um significado imortal se a sinceridade o permitir. O coração precisa estar sempre pulsando certeiro para que te dê forças pra acreditar que o que parece difícil talvez nem o seja e o que parece impossível, realmente nao o é.
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