quem sou eu
31.10.07
Sbalordita
O desafio de recomeçar...todo começo é um arremesso, eu já me repetia isso desde os tempos mais simples, quando arremeçar era lançar mão dos medos, dos embaraços, das paixões escondidas. Hoje o arremeço é conseguir denifir o que o peito quer decifrar, qual das paixões o peito quer viver com mais intensidade ou qual delas ele poderia viver com satisfação.
Depois de realizar um grande sonho, será que é preciso acordar? de um sonho não se pode emendar em outro, depois em outro e ir até o infinito? parece que a parada pela terra é certeira nesse trajeto, parece que nenhuma viagem possa ser tão longa que não te permita uma pausa para um café.
Mas hoje a paragem não é em qualquer outro lugar. É no porto das lembranças mais vividas, mais seguras, de quase uma vida inteira, onde os pés pisaram muitas vezes, onde o pensamento esteve a maior parte do tempo, onde os laços foram criados com amor e tantas sementes semeadas com extidão. Ou quase.
Voltar para casa talvez nos traga um pouco de afeto quando estamos distantes demais, quando acostumamos com a humanidade dispersa pelo mundo e (re)voltada com os próprios conceitos e preceitos. Independência é relativa, seremos eternos dependentes do amor nosso e de outrem. Mas depender significa precisar? ou querer? ou saber que existe e que basta a existência? talvez a existência não baste, nenhuma pessoa quer ver longe quem ama. Quando pisei na minha terra, soube de muitas mortes que lágrimas em mim não escorreram como forma de socorrer-me de algum sofrimento. O desapego com a existência pode assustar às vezes, pode fazer a mente querer reagir ao contrário, tentando buscar o que ela nem deu por perdido.
O que parece ter-se perdido são todos os sonhos dentro do sonho maior. Aquelas cores e sons que ali estiveram durante todo o tempo que durou. Eu sei que nada se perdeu, tudo está sendo transformado, mas ainda não se sabe muito bem em que..para onde vai, em qual gaveta do armário que a vida dispõe. Espero que num armário ventilado, pra não mofar nunca..
Depois de realizar um grande sonho, será que é preciso acordar? de um sonho não se pode emendar em outro, depois em outro e ir até o infinito? parece que a parada pela terra é certeira nesse trajeto, parece que nenhuma viagem possa ser tão longa que não te permita uma pausa para um café.
Mas hoje a paragem não é em qualquer outro lugar. É no porto das lembranças mais vividas, mais seguras, de quase uma vida inteira, onde os pés pisaram muitas vezes, onde o pensamento esteve a maior parte do tempo, onde os laços foram criados com amor e tantas sementes semeadas com extidão. Ou quase.
Voltar para casa talvez nos traga um pouco de afeto quando estamos distantes demais, quando acostumamos com a humanidade dispersa pelo mundo e (re)voltada com os próprios conceitos e preceitos. Independência é relativa, seremos eternos dependentes do amor nosso e de outrem. Mas depender significa precisar? ou querer? ou saber que existe e que basta a existência? talvez a existência não baste, nenhuma pessoa quer ver longe quem ama. Quando pisei na minha terra, soube de muitas mortes que lágrimas em mim não escorreram como forma de socorrer-me de algum sofrimento. O desapego com a existência pode assustar às vezes, pode fazer a mente querer reagir ao contrário, tentando buscar o que ela nem deu por perdido.
O que parece ter-se perdido são todos os sonhos dentro do sonho maior. Aquelas cores e sons que ali estiveram durante todo o tempo que durou. Eu sei que nada se perdeu, tudo está sendo transformado, mas ainda não se sabe muito bem em que..para onde vai, em qual gaveta do armário que a vida dispõe. Espero que num armário ventilado, pra não mofar nunca..
10.7.07
raggionando sulla vita in Italia
Os italianos tem um certo comodismo diante da vida, são um tanto provincianos e querem tranquilidade. Ainda se apegam muito a certas regras e comportamentos morais o que talvez seja o peso da historia que têm, a tradiçao da família, de querer casar, ter um trabalho, um carro..o lado legal disso é a união dos casados e dos filhos, do famoso romantismo, a paixão profunda, mas tambem o apego excessivo, o ciume, "apossamento". Mesmo os meus amigos mais entusiasmados com a vida, sempre acreditam que as coisas são difíceis ou quase impossíveis.
"gente querendo ser amada
sem saber por onde começar"
Viver em outro país traz a sensação de quanto é bom estar em casa com quem temos afinidade, com quem tem a mesma energia boa e procura viver ou lutar com o rei que mora dentro si.
Aqui, tantos rostos expressando uma não-violência de querer estar cômodo e passar o inverno dormindo e o verão deitado na grama, porque afinal por aqui existe uma forma mais individual de se viver, contanto que um possa se sentir confortável onde está...ou contanto que possa reclamar tanto até nao se suportar mais e ir assistir tv. A vida de quem não é artista ou estudante inteligente, é sempre a mesma,
"e vejo que isso é estar desalienado do nosso tempo
nosso tempo-História e nossa história tb".
Mas em meio à minha desalienação eu encontro a essência de perceber que cada dia pode te ensinar algo, se você quiser aprender, senão pode continuar tudo igual. Cada pessoa pode ter um significado imortal se a sinceridade o permitir. O coração precisa estar sempre pulsando certeiro para que te dê forças pra acreditar que o que parece difícil talvez nem o seja e o que parece impossível, realmente nao o é.
"gente querendo ser amada
sem saber por onde começar"
Viver em outro país traz a sensação de quanto é bom estar em casa com quem temos afinidade, com quem tem a mesma energia boa e procura viver ou lutar com o rei que mora dentro si.
Aqui, tantos rostos expressando uma não-violência de querer estar cômodo e passar o inverno dormindo e o verão deitado na grama, porque afinal por aqui existe uma forma mais individual de se viver, contanto que um possa se sentir confortável onde está...ou contanto que possa reclamar tanto até nao se suportar mais e ir assistir tv. A vida de quem não é artista ou estudante inteligente, é sempre a mesma,
"e vejo que isso é estar desalienado do nosso tempo
nosso tempo-História e nossa história tb".
Mas em meio à minha desalienação eu encontro a essência de perceber que cada dia pode te ensinar algo, se você quiser aprender, senão pode continuar tudo igual. Cada pessoa pode ter um significado imortal se a sinceridade o permitir. O coração precisa estar sempre pulsando certeiro para que te dê forças pra acreditar que o que parece difícil talvez nem o seja e o que parece impossível, realmente nao o é.
1.4.07
vai na fonte

nao é água de beber, camará, mas é fonte de água cristalina, fonte das fontes centenárias, com moedas reluzentes em seu fundo.
fonte das esculturas de mármores, é hercules, apolo ou netuno com sua lança certeira. são homens fortes exibindo o dorso. são belos todos.
é agua que escorre sem cessar. são pedidos e desejos que afundam na água turva, iluminada pela luz natural durante o dia, pela artificial ao entardecer.
é o movimento da água que acompanha a agitaçao do coração fascinado por Roma. é a pulsação que acompanha os passos frenéticos, as vozes soando alto, a água respingando baixo.
os olhos estão arregalados, perplexos. iludidos de beleza. vesgos de euforia. sorriem como se fossem crianças e se desmancham de prazer ao ver o sonho imaginado acontecer.
24.1.07
o sonho de poder ser

Simplesmente deitar na grama fresca, dormir com os olhos sonolentos de prazer.
Ele me faz falta, está distante. Mas sua lembrança me acompanha e meus caminhos me fazem acreditar que viver sem esperar traz o inevitável. Hoje não posso deixar a expectativa me fatigar demais, aliás ninguem pode, mas todo mundo sente. O cansaço do anseio de conseguir. A inquietação da necessidade de obter. Obter é uma palavra muito feia na idade contemporânea, e tudo que é contemporâneo demais perdeu seu valor primitivo. Sua essência verdadeira.
Eu quero o verde da terra. A umidade da sabedoria. Não quero esperar por nada, apenas encontrar.
18.1.07
sogni d'oro
depois de um inicial estado de observacao e constante questionamento sobre a paris mais bela de todos esses tempos, veio a perplexidade, o encantamento, a completa absorção da beleza limpa e clássica parisiense. certamente a beleza nos faz apaixonar, nos coloca em estado de êxtase passível, no qual abre-se os olhos somente pro deleite e fascínio de tudo que reflete com brilho no olhar.
sim, certamente a cidade tem sua forma mais sofisticada e inevitavelmente te envolve em seu cenário iluminado..durante todo esse tempo eu vivi todas as fantasias possíveis enquanto caminhava pela garoa fina. No meu último dia em paris eu deixei o cachecol em casa, precisava sentir o ar fresco roçando no meu pescoço, precisava deixar o colo sentir os últimos momentos de estar naquelas ruas sozinha, alimentando as vistas de um explendor exuberante, o que talvez não seja mais que perfeitas construções arquitetônicas.
estar na europa te faz dar um valor imenso à matéria, o que até certo ponto pode ser positivo, quando se tem em mente a criatividade e habilidade de tudo o que o pensamento foi capaz de concretizar. mas pra se sentir mais humano é preciso esquecer um pouco toda essa matéria também feita de ouro. pra quem todos os dias acorda e sai pra rua com tudo isso diante de si, talvez seja quase incompreensível o ato de despir-se dessa verdade.
em algum momento do dia preciso fazer a reflexão de que a alma continua valendo mais. senão a casa cai e o que pode restar são tijolos duros, pesados e antigos no meio do teu chão.
sim, certamente a cidade tem sua forma mais sofisticada e inevitavelmente te envolve em seu cenário iluminado..durante todo esse tempo eu vivi todas as fantasias possíveis enquanto caminhava pela garoa fina. No meu último dia em paris eu deixei o cachecol em casa, precisava sentir o ar fresco roçando no meu pescoço, precisava deixar o colo sentir os últimos momentos de estar naquelas ruas sozinha, alimentando as vistas de um explendor exuberante, o que talvez não seja mais que perfeitas construções arquitetônicas.
estar na europa te faz dar um valor imenso à matéria, o que até certo ponto pode ser positivo, quando se tem em mente a criatividade e habilidade de tudo o que o pensamento foi capaz de concretizar. mas pra se sentir mais humano é preciso esquecer um pouco toda essa matéria também feita de ouro. pra quem todos os dias acorda e sai pra rua com tudo isso diante de si, talvez seja quase incompreensível o ato de despir-se dessa verdade.
em algum momento do dia preciso fazer a reflexão de que a alma continua valendo mais. senão a casa cai e o que pode restar são tijolos duros, pesados e antigos no meio do teu chão.
4.1.07
o buraco negro de paris iluminada
Todos os dias dicutimos sobre a podridao escondida na veias da cidade perfeita. Ideal de beleza, tudo bege e marom, placidez, linhas infinitas, luzes pra deixar a rua bem amarela refletindo a palidez das pessoas como se elas tivessem que ser vistas a todo momemnto, como se seus rostos fossem tao perfeitos que devessem estar clareados por holofotes magnificos. Mas a beleza nao nutre a verdade qe aparecem nos rostos mais negros.
De dia, na mesa de casa ou a noite na mesa do bar, a gente fala da xenofobia deste povo icone da filosofia, quem pensa sao os franceses, quem cria reflexoes mirabolaveis e faz auto-critica no cinema, com dialogos interminaveis, sao eles, que conhecem sua perversao, sua vontade de mandar os nao-franceses pra bem longe de suas portas. A gente repara e observa com o canto dos olhos o guarda estupido segurando forte no braco da negra, que implora pra voltar logo pra casa e cuidar da familia, enquanto o cara branquelo fica tentando mostrar que seu bilhete de trem esta' vencido e que isso e' o fim da picada.
Os negros tem expressao de batalha, de vida bem dividida, apesar de estarem lado a lado no banco do metro. as filas nos orgaos das embaixadas sao interminaveis e o sorriso insincero vem macio quando nao se quer fazer nada pela condicao do outro: je suis desolle'...e com tantos caminhos dificultuosos, os nao franceses querem viver aqui, porque a cidade e' quase perfeita se nao fossem os preconceitos humanos, porque ela oferece grana e faz muita grana flutuar, porque mais que a gloriosa arquitetura palacesca e toda uma tradicao monarquica, paris gera emprego e proporciona conforto pra quem estava acostumado a dormir na terra vermelha.
a contradicao esta' em toda parte, e os bairros do alto estao repletos de outros que nao os brancos e loiros. e os bairros nos altos sao cheios de vitalidade e originalidade, tem burburinho, tem cor de gente que anda na rua e te olha de vez em quando. tem produto com preco justo, tem atendente que te responde na sua propria lingua, com muito prazer.
De dia, na mesa de casa ou a noite na mesa do bar, a gente fala da xenofobia deste povo icone da filosofia, quem pensa sao os franceses, quem cria reflexoes mirabolaveis e faz auto-critica no cinema, com dialogos interminaveis, sao eles, que conhecem sua perversao, sua vontade de mandar os nao-franceses pra bem longe de suas portas. A gente repara e observa com o canto dos olhos o guarda estupido segurando forte no braco da negra, que implora pra voltar logo pra casa e cuidar da familia, enquanto o cara branquelo fica tentando mostrar que seu bilhete de trem esta' vencido e que isso e' o fim da picada.
Os negros tem expressao de batalha, de vida bem dividida, apesar de estarem lado a lado no banco do metro. as filas nos orgaos das embaixadas sao interminaveis e o sorriso insincero vem macio quando nao se quer fazer nada pela condicao do outro: je suis desolle'...e com tantos caminhos dificultuosos, os nao franceses querem viver aqui, porque a cidade e' quase perfeita se nao fossem os preconceitos humanos, porque ela oferece grana e faz muita grana flutuar, porque mais que a gloriosa arquitetura palacesca e toda uma tradicao monarquica, paris gera emprego e proporciona conforto pra quem estava acostumado a dormir na terra vermelha.
a contradicao esta' em toda parte, e os bairros do alto estao repletos de outros que nao os brancos e loiros. e os bairros nos altos sao cheios de vitalidade e originalidade, tem burburinho, tem cor de gente que anda na rua e te olha de vez em quando. tem produto com preco justo, tem atendente que te responde na sua propria lingua, com muito prazer.
1.1.07
dans le vie et sour la lune
se tu quiseres me ouvir
te achegues que o que eu vou-te dizer
talvez faça sentido
talvez te fascine ou te embriague
minha voz a ti não chega
meu coração talvez te toque
brilha a pupila grande redonda
negra como as noites sem luar
meus olhos estão dilatados
profundo é sentir como teus olhos
permancem como a noite e sua longuidez
escureceu às 17h
só vai clarear as 9h em paris
é assim
a brancura pinta o quadro
da cidade
fria e charmosa
ano que inicia
champanhe francês
nenhum fogos de artifício ruiu
alguns doces tomei
nem sequer tua voz ouvi
mas teus olhos vi
dentro aqui coleciono olhares
dentro de ti te invado sorrindo
fora de tudo a lua cantando
a rua dançando
meu coração balançando
e todas as canções brindando
a felicidade de ver-te sorrir sempre chegando
te achegues que o que eu vou-te dizer
talvez faça sentido
talvez te fascine ou te embriague
minha voz a ti não chega
meu coração talvez te toque
brilha a pupila grande redonda
negra como as noites sem luar
meus olhos estão dilatados
profundo é sentir como teus olhos
permancem como a noite e sua longuidez
escureceu às 17h
só vai clarear as 9h em paris
é assim
a brancura pinta o quadro
da cidade
fria e charmosa
ano que inicia
champanhe francês
nenhum fogos de artifício ruiu
alguns doces tomei
nem sequer tua voz ouvi
mas teus olhos vi
dentro aqui coleciono olhares
dentro de ti te invado sorrindo
fora de tudo a lua cantando
a rua dançando
meu coração balançando
e todas as canções brindando
a felicidade de ver-te sorrir sempre chegando
bone nadal
Em catalão se diz assim.
"felices fiestas" já soa familiar e o catalão vem misturar francês, espanhol e português. É exquisito!
O natal foi atipico: hall da casa de pelo menos 150 anos, pintado de laranja. Corredor vermelho, acesso à cozinha verde, eenoorrme, com um cantinho da amizade: grafia japonesa colada na parede e três poemas de Pablo Nerruda na parede de azulejos bem decorados. uU dos donos da casa, um galego-português, disse que as lia todas as manhâs, para não se esquecer de que "El mar ès movimiento y plenitud, vida y illusion".
Seguindo o corredor vermelho, sala amarela e azul, ampla, sofás rasteiros, brancos, almofadas verdes. O piso era de madeira, perfeito para a noite de bailo! Mais uma sala marrom, almofadas no chão e chaminé! ahh, muy buena, fuego en mis ojos, calor en mi corazón...a porta de vidro se abria para uma varandinha e dela para os telhados ao redor. Dos telhados para o céu imenso azul-marinho...noite fria, cavas (vinho espumante!) nas taças, das taças para as mãos, das mãos para os lábios, dos lábios para o corpo, inebriando a mente.
Todos estavam sorrindo, longe de suas casas, contentes pelas novas e inusitadas companhias, admiradores de Barcelona - la ciudad de la liberdad.
Fomos presenteados com a luz do dia. Borrou-se o céu de azul turquesa. No caminho de casa pelas largas avenidas, últimas risadas na noite natalina.
"felices fiestas" já soa familiar e o catalão vem misturar francês, espanhol e português. É exquisito!
O natal foi atipico: hall da casa de pelo menos 150 anos, pintado de laranja. Corredor vermelho, acesso à cozinha verde, eenoorrme, com um cantinho da amizade: grafia japonesa colada na parede e três poemas de Pablo Nerruda na parede de azulejos bem decorados. uU dos donos da casa, um galego-português, disse que as lia todas as manhâs, para não se esquecer de que "El mar ès movimiento y plenitud, vida y illusion".
Seguindo o corredor vermelho, sala amarela e azul, ampla, sofás rasteiros, brancos, almofadas verdes. O piso era de madeira, perfeito para a noite de bailo! Mais uma sala marrom, almofadas no chão e chaminé! ahh, muy buena, fuego en mis ojos, calor en mi corazón...a porta de vidro se abria para uma varandinha e dela para os telhados ao redor. Dos telhados para o céu imenso azul-marinho...noite fria, cavas (vinho espumante!) nas taças, das taças para as mãos, das mãos para os lábios, dos lábios para o corpo, inebriando a mente.
Todos estavam sorrindo, longe de suas casas, contentes pelas novas e inusitadas companhias, admiradores de Barcelona - la ciudad de la liberdad.
Fomos presenteados com a luz do dia. Borrou-se o céu de azul turquesa. No caminho de casa pelas largas avenidas, últimas risadas na noite natalina.
25.12.06
Pelas ruas de Barcelona
si puede mirar el cielo con sus cores rojas y blu en el entardecer...
A cidade tem um brilho das luzes que iluminam as largas avenidas. Imensas calçadas para os pés incassáveis, curiosos, descendo as ramblas, passando por praças, todas elas um tanto desertas, abandonadas pelo frio. A famosa cidade de encantos e movimentos está mais silenciosa nessa época, o metrô segue bem frequentado, cheio na maioria das vezes, mas nas ruas são poucos - os que precisam de mais ar fresco para sentir a vida, os que se iluminam das luzes dos enfeites de natal.
Ou aqueles como eu, que andam com os olhos voando pelos altos das janelas, todas mágicas com sacadas e pequenas varandas charmosas. A arte de Gaudi invade a arquiteura barceloneta, são formas arredondadas, mosaicos, cercas e bancadas que parecem croché feito à mão. Não existem casas, cidade feita de pequenos prédios, muitos, uns colados nos outros, mas todos simétricos, obedecem a uma ordem, ocupam o mesmo espaço nas quadras.
As esquinas não são esquinas, não existe ângulo de noventa graus, prevalece a curva, o que não é linear, o que pode ser mais flexível e não chocar-se com a linha de frente. As ruas com menos calor humano neste início de inverno, preenche-se de música, há sempre aqueles se sentam em alguma praça mais movimentada e fazem florecer sons de seus intrumentos. Há um cara branquinho que parece um russo e toca um bandolim redondo, fazendo uma voz que vem de uma garganta comprimida e uma força do tórax, sua voz é única, seu canto cheio de graça e intensidade, ele está sempre envolvido com sua música folclorista, enquanto sua caixinha de moedas vai sendo engordada pelos passantes e admiradores.
Os espanhóis são criativos, coloridos, vestem cores, desarrumam seus cabelos, pintam as paredes, riem com seus amigos e não pedem licença pra passar, mas também não te empurram, nem te incomodam, nem reclamam. Vivem assim, numa boa e com muito vinho e cerveja na mente!
A cidade tem um brilho das luzes que iluminam as largas avenidas. Imensas calçadas para os pés incassáveis, curiosos, descendo as ramblas, passando por praças, todas elas um tanto desertas, abandonadas pelo frio. A famosa cidade de encantos e movimentos está mais silenciosa nessa época, o metrô segue bem frequentado, cheio na maioria das vezes, mas nas ruas são poucos - os que precisam de mais ar fresco para sentir a vida, os que se iluminam das luzes dos enfeites de natal.
Ou aqueles como eu, que andam com os olhos voando pelos altos das janelas, todas mágicas com sacadas e pequenas varandas charmosas. A arte de Gaudi invade a arquiteura barceloneta, são formas arredondadas, mosaicos, cercas e bancadas que parecem croché feito à mão. Não existem casas, cidade feita de pequenos prédios, muitos, uns colados nos outros, mas todos simétricos, obedecem a uma ordem, ocupam o mesmo espaço nas quadras.
As esquinas não são esquinas, não existe ângulo de noventa graus, prevalece a curva, o que não é linear, o que pode ser mais flexível e não chocar-se com a linha de frente. As ruas com menos calor humano neste início de inverno, preenche-se de música, há sempre aqueles se sentam em alguma praça mais movimentada e fazem florecer sons de seus intrumentos. Há um cara branquinho que parece um russo e toca um bandolim redondo, fazendo uma voz que vem de uma garganta comprimida e uma força do tórax, sua voz é única, seu canto cheio de graça e intensidade, ele está sempre envolvido com sua música folclorista, enquanto sua caixinha de moedas vai sendo engordada pelos passantes e admiradores.
Os espanhóis são criativos, coloridos, vestem cores, desarrumam seus cabelos, pintam as paredes, riem com seus amigos e não pedem licença pra passar, mas também não te empurram, nem te incomodam, nem reclamam. Vivem assim, numa boa e com muito vinho e cerveja na mente!
13.11.06
vivência
"A flor morreu por falta de água"
Essas foram suas últimas duras palavras. Desde que soube que não a encontraria naquela tarde. Ele sente como se tivesse sido abandonado ao relento, permanecendo só, mas tinha grande esperança de que num dia próximo ela aparecesse e o iluminasse, como sempre fizera, durante muitos anos.
Ele vivia com a certeza de que ela cedo ou tarde apareceria lhe trazendo uma surpresa, um doce, uma especiaria ou uma poesia. Ele sabia que no passado podia encontrá-la numa rua ou outra, que à noite passaria pra dormir naquela casa, e que ali lhe contaria os segredos e desejos mais íntimos, que tudo estaria a salvo em sua companhia. Mas ele também sabia que alguma coisa poderia mudar no ano de Saturno...ouvia dizer que era o ano de decisões difícies, de desencontros que poderiam simbolizar a escolha por um caminho inusitado, completamente novo e talvez frio. Ele não quis levar as previsões de Saturno em sua viagem, afinal, repetia sempre que a escolha depende de cada um, não dos astros.
Hoje ele percebe que existe uma força maior que impede que um destino seja o mesmo que o sonhado, porque existem muitas forças que regem cada caminho, sua única e verdadeira força não aplaca todas as outras. No entanto, acredita ainda que a força que ela tem foi capaz de murchar seu coração, outrora tão cheio de cor. Ele não queria ter acreditado em vão. Ele não poderia ter dormido tantas noites sozinho, pensando na certeza da chegada dela, com flores e paixão, com seu cheiro e toda sua presença.
A tristeza passou, resta o vazio, a culpa de quem não cuidou do que valia tanto pra ele. Não quer dizer mais nada, apenas afastar-se de tudo que pode significar a presença dela, daquela que não veio, daquela que não virá.
Ela não quer sentir tristeza de quem não aguou a planta o suficiente por pura distração ou escolha de tempo. Quer também inventar uma explicação pra sua falta de cumplicidade quando os sonhos de um e outro voaram pra universos não-equivalentes. Ela gostaria de ter plantado a sua flor num canteiro onde pudesse estar em companhia de outras, e assim, naturalmente se alimentaria se sol, água da chuva e teria a visita de pássaros sempre. Mas não conseguiu transportar a sua flor, deixou-a no vaso de uma memória longíqua, não conseguiu pensar em suas raízes comprimindo-se, apenas deixou-a ali. Ao relento.
Hoje leu nas entrelinhas as duras palavras de quem se sente sem vida, oco por dentro e feio por fora. Vai fechar os olhos e pensar na flor com amor, para que ela possa reviver em paz, mesmo sem sua companhia.
Essas foram suas últimas duras palavras. Desde que soube que não a encontraria naquela tarde. Ele sente como se tivesse sido abandonado ao relento, permanecendo só, mas tinha grande esperança de que num dia próximo ela aparecesse e o iluminasse, como sempre fizera, durante muitos anos.
Ele vivia com a certeza de que ela cedo ou tarde apareceria lhe trazendo uma surpresa, um doce, uma especiaria ou uma poesia. Ele sabia que no passado podia encontrá-la numa rua ou outra, que à noite passaria pra dormir naquela casa, e que ali lhe contaria os segredos e desejos mais íntimos, que tudo estaria a salvo em sua companhia. Mas ele também sabia que alguma coisa poderia mudar no ano de Saturno...ouvia dizer que era o ano de decisões difícies, de desencontros que poderiam simbolizar a escolha por um caminho inusitado, completamente novo e talvez frio. Ele não quis levar as previsões de Saturno em sua viagem, afinal, repetia sempre que a escolha depende de cada um, não dos astros.
Hoje ele percebe que existe uma força maior que impede que um destino seja o mesmo que o sonhado, porque existem muitas forças que regem cada caminho, sua única e verdadeira força não aplaca todas as outras. No entanto, acredita ainda que a força que ela tem foi capaz de murchar seu coração, outrora tão cheio de cor. Ele não queria ter acreditado em vão. Ele não poderia ter dormido tantas noites sozinho, pensando na certeza da chegada dela, com flores e paixão, com seu cheiro e toda sua presença.
A tristeza passou, resta o vazio, a culpa de quem não cuidou do que valia tanto pra ele. Não quer dizer mais nada, apenas afastar-se de tudo que pode significar a presença dela, daquela que não veio, daquela que não virá.
Ela não quer sentir tristeza de quem não aguou a planta o suficiente por pura distração ou escolha de tempo. Quer também inventar uma explicação pra sua falta de cumplicidade quando os sonhos de um e outro voaram pra universos não-equivalentes. Ela gostaria de ter plantado a sua flor num canteiro onde pudesse estar em companhia de outras, e assim, naturalmente se alimentaria se sol, água da chuva e teria a visita de pássaros sempre. Mas não conseguiu transportar a sua flor, deixou-a no vaso de uma memória longíqua, não conseguiu pensar em suas raízes comprimindo-se, apenas deixou-a ali. Ao relento.
Hoje leu nas entrelinhas as duras palavras de quem se sente sem vida, oco por dentro e feio por fora. Vai fechar os olhos e pensar na flor com amor, para que ela possa reviver em paz, mesmo sem sua companhia.
9.11.06
sogni (è possivel sonhar em italianes!!)
Lo sguardo contiene la tenera luce di chi ammira il lumminoso e fammegiante tramonto. Lei si trova immersa nell' azzurro del cielo che la circonda.
Si accorge della sua anima piena di fiduccia la quale la porterà all'infinito dei suoi pensieri, a rivelare il misterio delle scelte che ogni giorni fa che la riempono di soavità e la rallentano di consumare il tempo veloce delle abitudine umane.
Allora quando sostiene lunga occhiata all'orizonte, raggiunge pace e silenzio dentro la sua mente. Il suo corpo si ferma per un attimo davanti l'aria fresca e limpida poi il cuor suo prova un sollievo profondo.
Si accorge della sua anima piena di fiduccia la quale la porterà all'infinito dei suoi pensieri, a rivelare il misterio delle scelte che ogni giorni fa che la riempono di soavità e la rallentano di consumare il tempo veloce delle abitudine umane.
Allora quando sostiene lunga occhiata all'orizonte, raggiunge pace e silenzio dentro la sua mente. Il suo corpo si ferma per un attimo davanti l'aria fresca e limpida poi il cuor suo prova un sollievo profondo.
8.11.06
sorriso no queixo

olha pra si mesma e entende que sua escolha se revela a cada dia sem mistério, vai cativando os espaços e os laços afetivos sem receios, olha pra seu coraçao e sente a tenra simplicidade de estar consigo mesma, sem dilemas nem dores nem tristeza...harmonia equilibrando a mente. hegemonia de passos confiantes, curiosos, incessantes, querem descobrir o mundo, abrir as cortinas, saltear pelo palco que se estende diante dos pés.
No entardecer revela sua graça, sorri como se o mundo a fotografasse, como se seus pensamentos flutuassem no oceano de memórias lentas, um véu vespertino que se desfaz com a escuridão do céu pré-invernal. De noite, as estrelas são pequeníssimos brilhos reluzentes, se a lua cresce, é ela que reina no infinito absoluto, fria, intensa, clara como um diamante. Se a noite esfria, são as nuvens em fumaça que vêm embranquecer a cidade e suas vielas, tudo é nebuloso e quem está no meio dela passa despercebido, um olhar só cruza o outro quando realmente se aproxima, senão a sombra passa, longe, indistinguível, mas real.
De manhã faz preguiça, sente da janela a luz amarela, gosta de pensar que é mais um dia de outono com folhas marrons e avermelhadas soprando no jardim, tempo de colheita de olivas, muitas delas pelo caminho que perfaz perto dos bosques. Depois as encontra no prato, acrescentando sabor, beleza e aroma no alimento fresco, apenas servido, em fumaça ainda, cheirosa.
Seus olhos assistem a tudo, calma e docemente.
6.11.06
menino, a felicidade...

"menino amanhã de manhã quando a gente acordar quero te dizer que felicidade vai desaguar sobre os homens...na hora ninguém escapa, debaixo da cama ninguém se esconde, a felicidade vai desaguar sobre os homens vai..."
menino mira o chão mas deve olhar pra frente, não deve dormir no ponto, vai aprender a segurar o jogo e ter todo o cuidado. tem lindos olhos pra brilhar a vida em qualquer praça cheio de graça.
menino esconde o sorriso de quem debruça na janela e espera a vida passar sem pressa, mas o mundo te chama, quer seu valor, sua cura, sua beleza, sua serenidade.
menino acalentou minha alma, agora anda na rua como se voasse sem asas e nao pudesse tocar o chao...
2.11.06
parece fácil
Houveram dias inexpressáveis, um exagero imensurável com a preocupação linguística. As palavras sempre foram muito especiais pra mim, as escolho com cautela para que possam soar suavemente aos ouvidos de outrem. As palavras tem o poder de traduzir e tornar um pouco menos abstrato tudo que se passa na minha mente incansável de fantasiar e ansiosa por pensar em tudo que faz sentido.
Mas quando uma lingua que não a tua te circunda e tu passas a te preocupar com a forma dessa lingua e não com conteudo que há dentro de ti, um bloqueio feito de aço e pedras pesadas se apropriou de meu espaço interno e fez com que o silêncio permanecesse em todas as rodas de falantes. Enquanto todos exprimiam o que quisessem porque falavam sua lingua, eu ficava tentando construir a estrutura perfeita pra exteriorizar meus pensamentos que a certo momento, se encontravam submersos e sufocados pela rigidez da estrutura linguística.
Realmente, depois de um mês longe da madrelingua, falta-me vocabulário pra aprofundar qualquer conversa de bar. Todo dia faço o exercicio de memorizar palavras novas, utilizar a flexão dos verbos e seus pronomes, procurar no dicionário os termos que me parecem convenientes...mas isso cansa a beleza de qualquer poesia. O exercício agora será como não dar demasiada atenção à forma, e sim à originalidade do que pensa o cerebro.
Talvez não exista formula alguma, talvez eu precise de uma ervinha pra relaxar...puxa, acho que é isso que me falta. Mais que palavras, as idéias flutuantes, leves como dantes...
Mas quando uma lingua que não a tua te circunda e tu passas a te preocupar com a forma dessa lingua e não com conteudo que há dentro de ti, um bloqueio feito de aço e pedras pesadas se apropriou de meu espaço interno e fez com que o silêncio permanecesse em todas as rodas de falantes. Enquanto todos exprimiam o que quisessem porque falavam sua lingua, eu ficava tentando construir a estrutura perfeita pra exteriorizar meus pensamentos que a certo momento, se encontravam submersos e sufocados pela rigidez da estrutura linguística.
Realmente, depois de um mês longe da madrelingua, falta-me vocabulário pra aprofundar qualquer conversa de bar. Todo dia faço o exercicio de memorizar palavras novas, utilizar a flexão dos verbos e seus pronomes, procurar no dicionário os termos que me parecem convenientes...mas isso cansa a beleza de qualquer poesia. O exercício agora será como não dar demasiada atenção à forma, e sim à originalidade do que pensa o cerebro.
Talvez não exista formula alguma, talvez eu precise de uma ervinha pra relaxar...puxa, acho que é isso que me falta. Mais que palavras, as idéias flutuantes, leves como dantes...
16.10.06
15.10.06
domingo, pé de caximbo
Agora que não há pressa, é tudo aqui, como sempre. Tão desejado e imaginado, é tudo silêncio e pássaros no cèu. Nunca a vida foi tantas lembranças. "Pelo portão que escorre a calmaria" abre-se a janela de um novo dia, limpo ar, fresco e puro. Retira-se o tempo, se dorme de olhos semi-abertos e a cada amanhecer, a sensação de estar livre de um futuro comprimido por expectativas, jà o è. Se faz presente, revela seu significado a cada instante.
E de muitos desses instantes se alimenta todo dia. No entardecer sente como se seu coração balançasse com o vento, com a cantiga cantada pelos amigos que estão longe. Pela falta que faz não ter a família em casa, comida cheirosa e quentinha na mesa. Sentada no muro com o horizonte equilibrando-a sem deixá-la cair, vê os dias passarem tranquilamente. Sabe que as mentes do outro lado do oceano estão pensativas também. Sabe que sua escolha de estar neste muro, sozinha, lhe trará força, sabedoria, mesmo que tenha que sentir dor antes que receba tudo isso. Mesmo que precise chorar e deixar as lágrimas escorrerem em abundância para limpar a saudade que ainda prevalece.
Com tudo que tem vivido, com outras línguas que anseiam por comunicar-se, com novos sabores da peculiar cozinha estrangeira, com novos sons, novos olhares, novos desafios e uma arquitetura imensa a observar, ela sente-se um grão de areia neste domingo. Tão pequenina e condensada.
E de muitos desses instantes se alimenta todo dia. No entardecer sente como se seu coração balançasse com o vento, com a cantiga cantada pelos amigos que estão longe. Pela falta que faz não ter a família em casa, comida cheirosa e quentinha na mesa. Sentada no muro com o horizonte equilibrando-a sem deixá-la cair, vê os dias passarem tranquilamente. Sabe que as mentes do outro lado do oceano estão pensativas também. Sabe que sua escolha de estar neste muro, sozinha, lhe trará força, sabedoria, mesmo que tenha que sentir dor antes que receba tudo isso. Mesmo que precise chorar e deixar as lágrimas escorrerem em abundância para limpar a saudade que ainda prevalece.
Com tudo que tem vivido, com outras línguas que anseiam por comunicar-se, com novos sabores da peculiar cozinha estrangeira, com novos sons, novos olhares, novos desafios e uma arquitetura imensa a observar, ela sente-se um grão de areia neste domingo. Tão pequenina e condensada.
29.9.06
sombra
25.9.06
adjetivo de posse
o egoísmo não vale a pena. como livrar-se dele, quando aparece de mansinho, no momento mais inoportuno?! a princípio nem é identificável, você sente uma coisa forte e bloqueada, uma birra amarrando o coração e fazendo um nó na garganta, você fica mal-humorado por não conseguir ter seu ego alimentado por aquela vontade íntima, própria e única.
há quem conviva bem com essa espécie de adjetivo de posse para o eu, típico do ser humano que admira o umbigo e vive voltado pra ele mesmo. são insuportáveis e reconhecidos à distância. há quem reconheça o egoísmo batendo na porta e consiga deixá-lo do lado de fora, assim ele logo desiste e vai embora. mas há momentos em que ele te invade freneticamente, arromba a porta de entrada e passeia por algumas horas na sua casa. ah sim, leva umas horas também colocá-lo pra fora, livrar-se dele com serenidade. e ainda resta um ar de coisa ruim que passou e causou algum transtorno.
bem, mas depois vem a reflexão do porquê dessa impulsão invasiva, a causa de ter-se deixado o intruso se apossar...essa etapa é que te faz amadurecer e perceber que existe o outro logo ao lado. que muitas coisas não são feitas só por você e nem pra você, depende da disponibilidade de outros seres (humanos ou divinos) e que você não é o centro do mundo que vai ter tudo o que quer. nem deveria, senão conviveria com o egoísmo continuamente, sendo saciado a todo instante.
há quem conviva bem com essa espécie de adjetivo de posse para o eu, típico do ser humano que admira o umbigo e vive voltado pra ele mesmo. são insuportáveis e reconhecidos à distância. há quem reconheça o egoísmo batendo na porta e consiga deixá-lo do lado de fora, assim ele logo desiste e vai embora. mas há momentos em que ele te invade freneticamente, arromba a porta de entrada e passeia por algumas horas na sua casa. ah sim, leva umas horas também colocá-lo pra fora, livrar-se dele com serenidade. e ainda resta um ar de coisa ruim que passou e causou algum transtorno.
bem, mas depois vem a reflexão do porquê dessa impulsão invasiva, a causa de ter-se deixado o intruso se apossar...essa etapa é que te faz amadurecer e perceber que existe o outro logo ao lado. que muitas coisas não são feitas só por você e nem pra você, depende da disponibilidade de outros seres (humanos ou divinos) e que você não é o centro do mundo que vai ter tudo o que quer. nem deveria, senão conviveria com o egoísmo continuamente, sendo saciado a todo instante.
20.9.06
18.9.06
"aqui se fazem amigos como se fossem irmãos"
Foram descalços até o cume daquela região ondulada e o mestre falou para seu guru:
-Estás vendo aquela árvore logo adiante, frondosa, elegante com seus galhos rumo ao céu, imagines o quanto de energia ela precisa extrair da terra pra sustentar-se e alimentar todos os seus labirintos; imagine quanta luz ela absorve pra continuar exuberante com seu porte!
O aprendiz mirou a árvore e continuou calado.
-Agora vejas aquela planta miúda, logo abaixo, na sombra da árvore. Repares bem no seu tamanho, na sua minusculosidade. Ela não precisa de tanta luz, nem de tanto alimento. Talvez ela seja mais suscetível a fragilizar-se com as constantes oscilações do tempo; com certeza ela é desapercebida por todos que por ela passam. No entanto, o que faz com que ela seja comparada à árvore? Por que dizer que uma é pior ou mais fraca do que a outra?
O discípulo ascenava um movimento leve pra frente e pra trás com a cabeça e seu acarya continuou:
-Não se deve olhar com pena para quem não precisou esforçar-se para crescer, se sua natureza não lhe permite que seja mais do que isso. Apenas o necessário pra sobreviver e ainda assim, na sombra.
O ouvinte levantou-se da pedra onde até então descansava, caminhou em direção à planta da parábola e quando aproximou-se, já no entardecer, sentiu suas vistas se encherem de um fosflorescente. Era de um amarelo vivo, com pintinhas caramelo e leves riscos avermelhados da flor que habitava naquela planta. Entendeu que a planta somente atrairia olhares de quem estivesse realmente atento a descobrí-la. A quem tivesse sido presenteado, por alguma razão, com aquela imagem tão delicada e singela.
-Estás vendo aquela árvore logo adiante, frondosa, elegante com seus galhos rumo ao céu, imagines o quanto de energia ela precisa extrair da terra pra sustentar-se e alimentar todos os seus labirintos; imagine quanta luz ela absorve pra continuar exuberante com seu porte!
O aprendiz mirou a árvore e continuou calado.
-Agora vejas aquela planta miúda, logo abaixo, na sombra da árvore. Repares bem no seu tamanho, na sua minusculosidade. Ela não precisa de tanta luz, nem de tanto alimento. Talvez ela seja mais suscetível a fragilizar-se com as constantes oscilações do tempo; com certeza ela é desapercebida por todos que por ela passam. No entanto, o que faz com que ela seja comparada à árvore? Por que dizer que uma é pior ou mais fraca do que a outra?
O discípulo ascenava um movimento leve pra frente e pra trás com a cabeça e seu acarya continuou:
-Não se deve olhar com pena para quem não precisou esforçar-se para crescer, se sua natureza não lhe permite que seja mais do que isso. Apenas o necessário pra sobreviver e ainda assim, na sombra.
O ouvinte levantou-se da pedra onde até então descansava, caminhou em direção à planta da parábola e quando aproximou-se, já no entardecer, sentiu suas vistas se encherem de um fosflorescente. Era de um amarelo vivo, com pintinhas caramelo e leves riscos avermelhados da flor que habitava naquela planta. Entendeu que a planta somente atrairia olhares de quem estivesse realmente atento a descobrí-la. A quem tivesse sido presenteado, por alguma razão, com aquela imagem tão delicada e singela.
15.9.06
14.9.06
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