sala cheia de corpos estendidos. lentamente se movimentavam, se alongavam, esticavam, faziam curvas, levantavam as pernas, giravam o pescoco. alguns eram tao flexiveis que sem perceber faziam danca antes mesmo da danca intensionada.
uma garota com bracos fortes, costas largas e cabelo curto fazia impulsos com o ventre e lancava as pernas para o outro lado, voltava, apoiava as maos no chao, sustentava seu corpo,entao se reerguia, uma beleza de corpo consistente com a leveza dos movimentos impulsionados por uma forca invisivel mas transparente. era a menina mais bonita da sala.
um rapaz vestia calca rosa-pessego e tinha o cabelo quase raspado. era magro. ficou sentado em posicao de lotus enquanto a sala com os corpos dentro apenas comecava o aquecimento. quando de fato os corpos foram motivados a movimentarem-se pelo "lider", era nitida clareza dos movimentos dele, o olhar sempre 'a frente como se executasse antes do corpo.
a danca comecou com cada qual independente pra depois se entrelacar com outros corpos. pulsos tocando as partes de outros corpos, o pescoco leve, giros, apoio, sutentacao, respiracao. contato. improviso. um corpo interrogando outro corpo, haveriam respostas? como interpreta-las? estavam a dizer sempre a mesma coisa ou outra?
e' quase inexplicavel em palavras e movimentos como seu corpo se identifica com outro corpo nessa linguagem sem olhar e sem fala. de repente alguem toca nas suas costas e voce sente que aquele peso exerce um fascinio no teu corpo e o improviso acontece de os corpos levarem-se pra uma danca que simplesmente acontece.
com alguns corpos, ao contrario isso nao parece acontecer. ha a tentativa de tocar as maos, os pulsos, os bracos. mas o deixar-se receber o peso da outra pessoa, a entrega para um ritmo e uma combinacao, como uma composicao que vai criando forma, permanece na intencao de faze-lo, que e' a intencao da propria aula de contato-improvisacao.
alguns corpos eu deixei que viessem com a danca que queriam dancar, mas meu corpo nao reagiu. poucos outros corpos exerceram o fascinio do movimento, e do toque, o peso, aproximacao e afastamento, ombros e barriga, um suspiro junto. a menina de bracos fortes por duas ou tres vezes encontrou meu corpo. eu recebia o peso dela nas minhas costas e nas minhas pernas e sentia a energia ali contida. o menino de calca roa-pessego tocava seus pulsos e impulsionava meu corpo pra tantos outros movimentos e por tantas vezes deixei a gravidade da terra presente no corpo dele sustentar meu corpo.
houveram momentos de corpos aglomerados e duplas que se comunicavam como se se conhecessem ha muito tempo. um tempo no espaco de outro tempo.
quem sou eu
22.9.09
29.8.09
a vida na arte,
ou a arte na vida?
sempre fui da segunda opcao. a arte na vida e' leveza, beleza, e' aquilo que faz a diferenca no seu dia, depois de dar tantas aulas, ou depois aqueles relatorios interminaveis, ou mesmo pegar aquele busao chacoalhando e ir la' no terminal capelinha, dar aquela reposicao de aula que voce nunca mais vai querer se lembrar...a arte depois de chegar em casa e tirar os sapatos. tem uma musica ali te esperando, o violao afinado, o piano na sala. Ou os melhores poemas de um poeta brasileiro ou italiano ou espanhol ou portugues. a arte na vida tambem pode ser aquela batucada no fim de tarde, as rodas de cantoria no parque, na casa de algum amigo, na praca. pode ser danca contemporanea, pode ser uma umbigada, saias rodando, macaibas saltitando. a arte na vida traz um brilho que as outras coisas nao tem e voce se sente como se desenhasse com giz pastel, borrando ligeiramente e misturando as cores.
a vida na arte foi sempre um questionamento. ainda o e'. como tornar o que e' prazer infindo com responsabilidade do dia-a-dia, a arte virar seu ganha pao, seu negocio. ter que negociar a sua arte com alguem e' uma das coisas mais entorpecedoras na minha vida. tabelar. botar preco. fazer marketing. vender-se. mostrar-se boa. muito boa, performatica ate', cheia de conhecimentos acumulados, dons, dotes. a vida na arte e' uma barra de ferro atravessando o teu caminho. talvez nem seja tao dificil ultrapassa-la, talvez ela seja so' uma pedra no caminho..que tinha uma pedra no caminho..drummond provavelmente sabia dizer bem o tamanho dessa pedra. a vida na arte exige mais que talento, exige dedicacao integral, vira ate' alguma coisa como todas as outras, parece que nao faz mais a diferenca, porque o dia inteiro voce esta' ali, praticando uma coisa pra que fique boa e que possa te dar um repertorio pra criar algo novo. ninguem cria boa arte sem ter antes malhado ate' acabar com a caixa inteira de giz colorido.
enquanto isso, quem tem a arte na vida nao precisa pensar muito nisso, sabe apenas admira-la, fica com o resultado prazeroso, com a magnitude. a vida na arte, contudo exige constancia, disciplina, repeticao.
ou a arte na vida?
sempre fui da segunda opcao. a arte na vida e' leveza, beleza, e' aquilo que faz a diferenca no seu dia, depois de dar tantas aulas, ou depois aqueles relatorios interminaveis, ou mesmo pegar aquele busao chacoalhando e ir la' no terminal capelinha, dar aquela reposicao de aula que voce nunca mais vai querer se lembrar...a arte depois de chegar em casa e tirar os sapatos. tem uma musica ali te esperando, o violao afinado, o piano na sala. Ou os melhores poemas de um poeta brasileiro ou italiano ou espanhol ou portugues. a arte na vida tambem pode ser aquela batucada no fim de tarde, as rodas de cantoria no parque, na casa de algum amigo, na praca. pode ser danca contemporanea, pode ser uma umbigada, saias rodando, macaibas saltitando. a arte na vida traz um brilho que as outras coisas nao tem e voce se sente como se desenhasse com giz pastel, borrando ligeiramente e misturando as cores.
a vida na arte foi sempre um questionamento. ainda o e'. como tornar o que e' prazer infindo com responsabilidade do dia-a-dia, a arte virar seu ganha pao, seu negocio. ter que negociar a sua arte com alguem e' uma das coisas mais entorpecedoras na minha vida. tabelar. botar preco. fazer marketing. vender-se. mostrar-se boa. muito boa, performatica ate', cheia de conhecimentos acumulados, dons, dotes. a vida na arte e' uma barra de ferro atravessando o teu caminho. talvez nem seja tao dificil ultrapassa-la, talvez ela seja so' uma pedra no caminho..que tinha uma pedra no caminho..drummond provavelmente sabia dizer bem o tamanho dessa pedra. a vida na arte exige mais que talento, exige dedicacao integral, vira ate' alguma coisa como todas as outras, parece que nao faz mais a diferenca, porque o dia inteiro voce esta' ali, praticando uma coisa pra que fique boa e que possa te dar um repertorio pra criar algo novo. ninguem cria boa arte sem ter antes malhado ate' acabar com a caixa inteira de giz colorido.
enquanto isso, quem tem a arte na vida nao precisa pensar muito nisso, sabe apenas admira-la, fica com o resultado prazeroso, com a magnitude. a vida na arte, contudo exige constancia, disciplina, repeticao.
27.8.09
Prados
embarco contigo
neste encontro de quem a alma leva
'a passeio pelos prados dourados
despetalando as emocoes
ensandecidamente desabrochadas
com a palma das maos
lancei-as no sopro de brisa
flutuando lentamente
perderam-se umas 'as outras
sem lagrimas de solidao
nem resmungo de lamento
lascas amareladas soltas
no espaco vazio,
apenas o prado,
o ceu curvado
em acolhimento.
contigo embarquei
nas cancoes que repousam
dentro de cada silencio
intervalo de cada nota
o meio pelo qual se ergue um corpo
lucido ao atravessar os campos
corria como se meditasse
sem pressa, selena
luz que clareia a lua
tem nas margens de ti
a pureza de ser
contigo ar, amor.
neste encontro de quem a alma leva
'a passeio pelos prados dourados
despetalando as emocoes
ensandecidamente desabrochadas
com a palma das maos
lancei-as no sopro de brisa
flutuando lentamente
perderam-se umas 'as outras
sem lagrimas de solidao
nem resmungo de lamento
lascas amareladas soltas
no espaco vazio,
apenas o prado,
o ceu curvado
em acolhimento.
contigo embarquei
nas cancoes que repousam
dentro de cada silencio
intervalo de cada nota
o meio pelo qual se ergue um corpo
lucido ao atravessar os campos
corria como se meditasse
sem pressa, selena
luz que clareia a lua
tem nas margens de ti
a pureza de ser
contigo ar, amor.
16.8.09
onde
procurei pelos cantos, pelas beiradas estreitas, por debaixo dos panos, dos lençóis, pelas frestas da janela, da porta, das tablas do chão de madeira antiga. procurei pelas gavetas, entre as roupas cheirando a sabonete, entre alguns livros empoeirados, procurei em cada toque, entre cada fio de cabelo, e cheiro, entre os movimentos da silhoueta, por muitos do ângulos nao encontrei. nao sei onde foi parar aquilo que dá o curto circuito dentro de todos os órgãos e retumba levemente em todas as partes e também no cérebro. procurei se pelo caminho se perdera nas mãos de quem soubera um dia encontrá-lo e vê-lo de perto acontecer. nao sei se lhe roubaram de dentro ou de fora, se lhe arrancaram a raíz profunda ou se a raíz continua lá, intacta neste longo momento de ausência, querendo ser procurada, esperando a vez de quem sabe que vai encontrá-la.talvez nada tenha se perdido, é só o tempo que vai dizer o que está escondido e que não se tenha vez de achar. quem terá? qual o fim de um percurso desconhecido? existe um chakra do autoconhecimento espiritual e da intuição. situa-se ao centro da cabeça, perto de toda a maquina que está dia e noite funcionando para que tudo fique nos eixos, do jeito que tem sempre de ser. este chakra em desequilibrio pulsa freneticamente, quando lateja de uma sensação invisivel, que comprime e parece que explode lá dentro. em algum momento da vida um tesouro foi escondido ou deu-se por desaparecido. ninguém sabe ao certo o que dele está sendo feito. é preciso procurá-lo. quem ousa?
13.8.09
eviva
a fe' que se tem a coragem brota a verdade dentro de cada ser a heranca ainda a se conceber a faceira magia do acontecer no universo de cada umbigo fora do centro pra cima da curva de prontidao a todos os angulos em espiral retumba o movimento da' energia reflete se transforma em acao produtiva viva!
Serpente
Cabelos compridos
moreno tem um cheiro
quando passa se desmancha
na brisa que suaviza o ar.
Voz enternecida
improvisa a melodia
desenhando versos
com a ponta dos dedos
quando toca nos labios
Paira no silencio
sobre a luz do olhar
se aproxima e logo se afasta
como se nao pudesse
muito perto se achegar
O nome que tem
na biblia esta',
um menino escolhido
por Moises, ao povo
vai ser digno de alguma
verdade que lhe ensinou
o profeta nas montanhas
sagradas
vindo de la',
do quase sertao desconhecido
bota na cor de sua pele
a mistura de indio
que se esconde no mato
por entre as folhagens espia
sabe quem chega
quem esta' de partida
banha-se na agua corrente
e com o corpo iluminado
desaparece como serpente.
moreno tem um cheiro
quando passa se desmancha
na brisa que suaviza o ar.
Voz enternecida
improvisa a melodia
desenhando versos
com a ponta dos dedos
quando toca nos labios
Paira no silencio
sobre a luz do olhar
se aproxima e logo se afasta
como se nao pudesse
muito perto se achegar
O nome que tem
na biblia esta',
um menino escolhido
por Moises, ao povo
vai ser digno de alguma
verdade que lhe ensinou
o profeta nas montanhas
sagradas
vindo de la',
do quase sertao desconhecido
bota na cor de sua pele
a mistura de indio
que se esconde no mato
por entre as folhagens espia
sabe quem chega
quem esta' de partida
banha-se na agua corrente
e com o corpo iluminado
desaparece como serpente.
23.7.09
In the hours of meditation
A insatisafacao e' um bicho feroz, de garras afiadas que talha nacos de carne e faz sangrar em dor. Tem um bico comprido e fino que se intromete nos espacos estreitos do julgamento, perfurando-lhe o senso. Tem olhos esbugalhados que distorcem a visao de um olho sa, com vasos dilatados saltando pra fora do globo ocular.
A insatisfacao deveria ter asas imensas pra voar pra bem longe ao inves de ser pesada como chumbo e lama, afogando em prantos quem recebe seu peso, sua persuasao. deveria ser clara como a brisa, leve e macia para soprar no ouvido e saber guiar os passos, mas ela e' marrom e cinza, com pedras disformes que nunca se dissolvem, insistem em esmagar-te e ismiucar a beleza da simplicidade.
Se uma pessoa nos ombros carrega essa criatura, sempre ferida estara'. Sempre com olheiras cansadas, como se nao tivesse Deus por perto. In the hours of meditation, esta' escrito: "Tente nao querer tornar-se o mestre e o master. Nao existe o tornar-se. Voce e' arte e alma. O progresso acontece com o tempo, mas a perfeicao esta' dentro da eternidade".
A insatisfacao deveria ter asas imensas pra voar pra bem longe ao inves de ser pesada como chumbo e lama, afogando em prantos quem recebe seu peso, sua persuasao. deveria ser clara como a brisa, leve e macia para soprar no ouvido e saber guiar os passos, mas ela e' marrom e cinza, com pedras disformes que nunca se dissolvem, insistem em esmagar-te e ismiucar a beleza da simplicidade.
Se uma pessoa nos ombros carrega essa criatura, sempre ferida estara'. Sempre com olheiras cansadas, como se nao tivesse Deus por perto. In the hours of meditation, esta' escrito: "Tente nao querer tornar-se o mestre e o master. Nao existe o tornar-se. Voce e' arte e alma. O progresso acontece com o tempo, mas a perfeicao esta' dentro da eternidade".
22.7.09
Vis(i)ta pro mar
a crianca que olha o mar
sente os ventos que vem de longe
ve lento o barco a navegar
levanta o dedo e aponta as ondas a tilintar
a cor do mar ao sul nao e' verde
como os olhos dela a girar
vagueia o horizonte, avista uma torre
o farol 'a noite vai alumiar
as pedras encobrem a areia
a crianca quer tambem ver a sereia...
como seria se com suas nadadeiras
se aproximassem da beira?
lanca as pedrinhas nas ondas
sorri e lanca os pes na agua
faz cacarecos, pula, molha
e corre da espuma que rola
vai brincar, no mar nao vai entrar
vai correr, na beira do mar vai se ater
basta que o mar lhe diga:
obrigada pela tua visita!
ojue!
o que quer que a vida seja, sorriso ha'
deixo me levar dentro deste perto olhar
quando cantas vem tua beleza me acariciar
redondilhos sao teus versos a me rodear
tua voz beija as palavras que de ti
saem como uma danca de improviso
e no semblante da noite quer me abracar
com teu violao chama teu santo pra ca
te ilumina, te inspira, quem vem la'
sorrindo de tua sombra logo vai se achegar
com tuas cantigas faz o coro entoar
assim ao meu lado nenhuma cancao tua tera' fim
o dia amanhecera' e outra luz refletes em mim
sete dias para me acompanhar tua imagem assim.
deixo me levar dentro deste perto olhar
quando cantas vem tua beleza me acariciar
redondilhos sao teus versos a me rodear
tua voz beija as palavras que de ti
saem como uma danca de improviso
e no semblante da noite quer me abracar
com teu violao chama teu santo pra ca
te ilumina, te inspira, quem vem la'
sorrindo de tua sombra logo vai se achegar
com tuas cantigas faz o coro entoar
assim ao meu lado nenhuma cancao tua tera' fim
o dia amanhecera' e outra luz refletes em mim
sete dias para me acompanhar tua imagem assim.
19.7.09
as cores das linguas
primeiro poema livre feito por 4 pessoas de paises diferentes, amigos no mesmo quarto empuleirados numa so' cama. a regra era escrever, dobrar a folha e passar adiante. cada linha, uma pessoa. aquilo deu nisso:
Arco-iris, hearts that blend and thoughts a breeze
La notte e le stelle son belle belle e fricicarelle
Visitando los reinos de la espontaneidad se libera el espiritu del abrazo del ego
Beleza das cores que se dissolvem nos sorrisos que saem de cada olhar
Ahora ya! Posa un po' quei bagagli..vieni a salutare il mare!
I am what I am, you are what you are. He is what she is what she is...we are!
Hahahahaha..who cares? tell me, who cares? I care infact.
Dipingiamo le nuvole che passano tra le dita come la brezza di una memmoria nel tempo
I am in the now, combattendo quell' ombra (the shadow) che devo imparare ad amare
I am what you are..so sit back and relax...
Todo tiene un final, everything has an ending, tutto finisce..and then..
Con los colores de todos los idiomas prosseguimos por todos los caminos (con todos los cantos).
Arco-iris, hearts that blend and thoughts a breeze
La notte e le stelle son belle belle e fricicarelle
Visitando los reinos de la espontaneidad se libera el espiritu del abrazo del ego
Beleza das cores que se dissolvem nos sorrisos que saem de cada olhar
Ahora ya! Posa un po' quei bagagli..vieni a salutare il mare!
I am what I am, you are what you are. He is what she is what she is...we are!
Hahahahaha..who cares? tell me, who cares? I care infact.
Dipingiamo le nuvole che passano tra le dita come la brezza di una memmoria nel tempo
I am in the now, combattendo quell' ombra (the shadow) che devo imparare ad amare
I am what you are..so sit back and relax...
Todo tiene un final, everything has an ending, tutto finisce..and then..
Con los colores de todos los idiomas prosseguimos por todos los caminos (con todos los cantos).
Frutos
a arvore da vida continua quando as folhas renascem verdinhas, vindo espiar o ceu.
despontam reluzindo a espontaneidade da vida que brota, em instantes amadurece, cresce com o proceder natural das existencias todas.
as folhas que caem na estacao anterior sao as perdas que a terra aduba, pouco a pouco, dia apos dia. muito lentamente sao absorvidas e deixam apenas um rastro transparente do que secou e foi vida em outros tempos.
o ir e vir como ciclo que traz alegria e leva tristeza ou leva a outra e traz uma. poder abrir os olhos depois de um sonho quase real e perceber a chegada de algo novo, nem ainda nascido, germinando no ventre e' presente que tende a ser abencoado, sem duvidas.existem milagres que de tao nitidos misturam-se a agua, ao ceu, ao mar. o mar que recebe o corpo de quem sabe amar.
despontam reluzindo a espontaneidade da vida que brota, em instantes amadurece, cresce com o proceder natural das existencias todas.
as folhas que caem na estacao anterior sao as perdas que a terra aduba, pouco a pouco, dia apos dia. muito lentamente sao absorvidas e deixam apenas um rastro transparente do que secou e foi vida em outros tempos.
o ir e vir como ciclo que traz alegria e leva tristeza ou leva a outra e traz uma. poder abrir os olhos depois de um sonho quase real e perceber a chegada de algo novo, nem ainda nascido, germinando no ventre e' presente que tende a ser abencoado, sem duvidas.existem milagres que de tao nitidos misturam-se a agua, ao ceu, ao mar. o mar que recebe o corpo de quem sabe amar.
7.7.09
Flor de maitá
Maitaca que palras tão alto assim,
por que voaste para longe de mim?
Tinhas o cume da cabeça vermelha
Pairavas sobre a ramaria de folhas tenras
Te alimentavas de coco de palmeira
Dentro de teu ninho em tronco oco
deitavam-se lhe caidas penas
de teu robusto e alongado corpo
Colhi-te frutos de imbaúba
Lancei-te os brotos mais maduros
Vi eriçar-te delicada pluma
Hoje ao acordar, não ouvi-te galrar
Sem fazer ruido, voaste maitaca
Mas as penas que deixaste, ir-se-ao aflorar
Flor de maitá
ca'stá.
por que voaste para longe de mim?
Tinhas o cume da cabeça vermelha
Pairavas sobre a ramaria de folhas tenras
Te alimentavas de coco de palmeira
Dentro de teu ninho em tronco oco
deitavam-se lhe caidas penas
de teu robusto e alongado corpo
Colhi-te frutos de imbaúba
Lancei-te os brotos mais maduros
Vi eriçar-te delicada pluma
Hoje ao acordar, não ouvi-te galrar
Sem fazer ruido, voaste maitaca
Mas as penas que deixaste, ir-se-ao aflorar
Flor de maitá
ca'stá.
6.7.09
voam-se penas
um passaro perdia suas penas
que caiam uma a uma e voavam para
o lugar sem fim onde o olhar nao alcancava
este passaro amolecia em minhas maos
e lentamente perdia as cores contidas
nas mesmas penas que se desfaziam
sofria a perda,
consumia sua dor.
fechava os olhos diante da claridade do dia
no quintal de folhas verdes,
onde tambem um cao o observava quieto
voar nao mais parecia viver.
a vida minguando sem um porque.
entregue ao seu destino,
tombou a cabeca ja quase sem forcas
e no calor das palmas,tristemente adormeceu.
que caiam uma a uma e voavam para
o lugar sem fim onde o olhar nao alcancava
este passaro amolecia em minhas maos
e lentamente perdia as cores contidas
nas mesmas penas que se desfaziam
sofria a perda,
consumia sua dor.
fechava os olhos diante da claridade do dia
no quintal de folhas verdes,
onde tambem um cao o observava quieto
voar nao mais parecia viver.
a vida minguando sem um porque.
entregue ao seu destino,
tombou a cabeca ja quase sem forcas
e no calor das palmas,tristemente adormeceu.
28.6.09
Tangivel
para graci bella
perfume da casca da laranja
cheiro de sabor da amarela fruta
passeia pelas maos dela
que acabou de colher o fruto
maduro do pe'
a laranjeira ao lado do goiabal,
da tangerina e da mangueira
fe-la recordar-se da cerejeira
que no verao de outra terra
certo dia amadureceu.
em tempos de outrora
as maos dela ficavam vermelhas
de aroma das framboesas,
doce tarde a degustar proesas
do quintal conterraneo
distante na lembranca
para alem do mediterraneo.
hoje o laranja tinge
o pensamento dela
e lhe tange os sonhos
para algum outro canto
que o destino escolheu.
perfume da casca da laranja
cheiro de sabor da amarela fruta
passeia pelas maos dela
que acabou de colher o fruto
maduro do pe'
a laranjeira ao lado do goiabal,
da tangerina e da mangueira
fe-la recordar-se da cerejeira
que no verao de outra terra
certo dia amadureceu.
em tempos de outrora
as maos dela ficavam vermelhas
de aroma das framboesas,
doce tarde a degustar proesas
do quintal conterraneo
distante na lembranca
para alem do mediterraneo.
hoje o laranja tinge
o pensamento dela
e lhe tange os sonhos
para algum outro canto
que o destino escolheu.
16.6.09
tal qual
colares com cores
claras como coral
coradas ao sol
como as roseiras no quintal
pétala de cada pedra
luzente ao mar de água e sal
no colo via-se o colar
envolto como caracol
catavento que girava
ao moinho de vento tropical
subindo a ladeira
pés firmes no pedal
as rodas da bicicleta
regiam o movimento natural
a energia se dissipava
como as cores no plano astral
sorrias na velocidade
e cantavas em Mi bemol
a felicidade com a qual te via
parecia poesia sem outro final.
claras como coral
coradas ao sol
como as roseiras no quintal
pétala de cada pedra
luzente ao mar de água e sal
no colo via-se o colar
envolto como caracol
catavento que girava
ao moinho de vento tropical
subindo a ladeira
pés firmes no pedal
as rodas da bicicleta
regiam o movimento natural
a energia se dissipava
como as cores no plano astral
sorrias na velocidade
e cantavas em Mi bemol
a felicidade com a qual te via
parecia poesia sem outro final.
12.6.09
As grades
Da janela do teu
quarto aproximei-me
como um raio de sol
aquecido de calor.
Da janela avistei tua
cama e sobre ela
tu estavas, semi-nua
com olhos de alguém
que deseja.
Da janela podia
ver-te distante
no teu prazer incondicional
Teu semblante gemia euforicamente
Meu olhar da janela
refletia minha impossibilidade
de atravessar as grades
Minhas mãos seguravam firme
cada barra de ferro gelada
Da janela afastei-me,
tudo me escureceu.
Luz retida
nos confins de mim.
Tudo a observar
sozinho eu.
quarto aproximei-me
como um raio de sol
aquecido de calor.
Da janela avistei tua
cama e sobre ela
tu estavas, semi-nua
com olhos de alguém
que deseja.
Da janela podia
ver-te distante
no teu prazer incondicional
Teu semblante gemia euforicamente
Meu olhar da janela
refletia minha impossibilidade
de atravessar as grades
Minhas mãos seguravam firme
cada barra de ferro gelada
Da janela afastei-me,
tudo me escureceu.
Luz retida
nos confins de mim.
Tudo a observar
sozinho eu.
1.6.09
Além
Para além da vidraça, alguém medita.
As cortinas esvoaçantes encobrem
o traço da sombra que perpassa.
O cão está do lado de fora
em segundos olha a vaguidez
do ar cálido da rua deserta,
deita a cabeça sobre as patas
e tem sob si o chão árido
Parece que pensa com a nitidez
de um ser que percebe
a insensatez que se apresenta
quando um amigo se ausenta
Com olhos cabisbaixos
diante de um céu de outono
inspira lento na tarde vazia
nem sinta talvez
o desalento que no homem suscita
É apenas um cão.
suspira a existência de um tempo?
simplesmente vive, porém
nada além.
As cortinas esvoaçantes encobrem
o traço da sombra que perpassa.
O cão está do lado de fora
em segundos olha a vaguidez
do ar cálido da rua deserta,
deita a cabeça sobre as patas
e tem sob si o chão árido
Parece que pensa com a nitidez
de um ser que percebe
a insensatez que se apresenta
quando um amigo se ausenta
Com olhos cabisbaixos
diante de um céu de outono
inspira lento na tarde vazia
nem sinta talvez
o desalento que no homem suscita
É apenas um cão.
suspira a existência de um tempo?
simplesmente vive, porém
nada além.
Valsa con Ale
Mille valse danzerei
se con un corpo sotille
mi affacciassi al cuor tuo
come un soffio di brezza
che si lancia tenero
verso la tua pele delicata
Danzerei nello sguardo
che si solleva dalla profondità
di un cielo limpido
[muoversi nell´imensità
sarebbe come vollare
rallentando]
Sommersa nell´aria
la danza inebriante
diventa lenta,
a divagare assieme
al petto tuo.
se con un corpo sotille
mi affacciassi al cuor tuo
come un soffio di brezza
che si lancia tenero
verso la tua pele delicata
Danzerei nello sguardo
che si solleva dalla profondità
di un cielo limpido
[muoversi nell´imensità
sarebbe come vollare
rallentando]
Sommersa nell´aria
la danza inebriante
diventa lenta,
a divagare assieme
al petto tuo.
Mito de Flor
30.5.09
Saga
Olhos d´água
do animal feroz que passa
e num piscar ameaça
quem detrás
dos muros da praça
se esconde na sombra
e finge que não vê
os olhos famintos
do andante que traça
sua saga de fome.
A pele enrugada
com vigas profundas
riscaram seu caminho
ao longo da face
de sol a sol
e em dia de chuva
a mesma busca
a incessante procura
do alimento
que lhe dá a cura.
Que mofe a fome
de alguém sem nome
que nada come
e no vazio some.
do animal feroz que passa
e num piscar ameaça
quem detrás
dos muros da praça
se esconde na sombra
e finge que não vê
os olhos famintos
do andante que traça
sua saga de fome.
A pele enrugada
com vigas profundas
riscaram seu caminho
ao longo da face
de sol a sol
e em dia de chuva
a mesma busca
a incessante procura
do alimento
que lhe dá a cura.
Que mofe a fome
de alguém sem nome
que nada come
e no vazio some.
Paisagem amarelecida
O céu acinzentado
com o tempo envelheceu.
Escuridão maltada;
o fosco clandestino
de impurezas,
o sol se lhe escureceu.
Em cismar olhando ao longe
a tristeza me anoiteceu;
um choro apertado
no peito recendeu.
Dessarte conciliar
- na noite posterior -
a voz cantada, os hinos
a prece e o louvor,
o divino me enterneceu.
com o tempo envelheceu.
Escuridão maltada;
o fosco clandestino
de impurezas,
o sol se lhe escureceu.
Em cismar olhando ao longe
a tristeza me anoiteceu;
um choro apertado
no peito recendeu.
Dessarte conciliar
- na noite posterior -
a voz cantada, os hinos
a prece e o louvor,
o divino me enterneceu.
24.5.09
Louvores
"a sala está cheia, minha gente,
como é que eu entro agora?
eu entro minha gente, eu entro
com deus e nossa senhora"
Assim aquela senhorinha, de um metro e meio de altura, cabelo preso num pequeno rabo de cavalo, pulseiras de bolinhas coloridas e poucos colares, saia de renda amarela e camisa bordada à mão, com as mãos elevadas ao céu, os olhos voltados para a sala repleta de ouvintes, com q voz firme no microfone, ela pronunciou esses versos lindamente e deu inicio à cantoria feita por mais de dez mulheres no palco. Era um show especial, uma homenagem ao Divino com a tradição das caixeiras do divino do Maranhão.
As maranhenses que estavam no palco eram lindas. Mulheres fortes, simples, umas tímidas outras sorridentes e alegres, todas com um brilho especial no olhar, com uma ternura enquanto cantavam, vozes potentes, agudas, cantoria de fé. Os canticos eram como louvores ao Espírito Santo, à estrela guia, aos mastros que conservam os pedidos, as devoções, as promessas. Foram dias de procissão, adoração, homenagem, saias brancas, giro de saias, toque das caixas.
Parece que uma vida se passou em duas semanas e meia de celebração. A cada dia de encontro, outra vela acesa, outro lenço estendido na mesa, a imagem do pombo branco que voa pela paz, voa paz, avoa em paz. Tocar sentada com aquela caixa no colo ao lado de mulheres e à frente de outras mulheres é como um mantra que nos cobre com um manto suave, que aquece o ventre e dá o aconchego do calor materno, da pureza de sentimentos, de beleza de desejar coisas boas e ter uma luz amarelada por dentro, mesmo com os olhos cerrados.
Nesse ritual não tocam os homens. Não se pode tocar de calça comprida. Ninguém ousa atravessar o corredor de duas fileiras de caixeiras. A força das vozes femininas e a lentidão das mesmas se emaranham e se dissolvem na melodia serena. O mais bonito de tudo isso é que elas fazem por amor à vida, à vida desta terra, à vida terna, à vida eterna.
como é que eu entro agora?
eu entro minha gente, eu entro
com deus e nossa senhora"
Assim aquela senhorinha, de um metro e meio de altura, cabelo preso num pequeno rabo de cavalo, pulseiras de bolinhas coloridas e poucos colares, saia de renda amarela e camisa bordada à mão, com as mãos elevadas ao céu, os olhos voltados para a sala repleta de ouvintes, com q voz firme no microfone, ela pronunciou esses versos lindamente e deu inicio à cantoria feita por mais de dez mulheres no palco. Era um show especial, uma homenagem ao Divino com a tradição das caixeiras do divino do Maranhão.
As maranhenses que estavam no palco eram lindas. Mulheres fortes, simples, umas tímidas outras sorridentes e alegres, todas com um brilho especial no olhar, com uma ternura enquanto cantavam, vozes potentes, agudas, cantoria de fé. Os canticos eram como louvores ao Espírito Santo, à estrela guia, aos mastros que conservam os pedidos, as devoções, as promessas. Foram dias de procissão, adoração, homenagem, saias brancas, giro de saias, toque das caixas.
Parece que uma vida se passou em duas semanas e meia de celebração. A cada dia de encontro, outra vela acesa, outro lenço estendido na mesa, a imagem do pombo branco que voa pela paz, voa paz, avoa em paz. Tocar sentada com aquela caixa no colo ao lado de mulheres e à frente de outras mulheres é como um mantra que nos cobre com um manto suave, que aquece o ventre e dá o aconchego do calor materno, da pureza de sentimentos, de beleza de desejar coisas boas e ter uma luz amarelada por dentro, mesmo com os olhos cerrados.
Nesse ritual não tocam os homens. Não se pode tocar de calça comprida. Ninguém ousa atravessar o corredor de duas fileiras de caixeiras. A força das vozes femininas e a lentidão das mesmas se emaranham e se dissolvem na melodia serena. O mais bonito de tudo isso é que elas fazem por amor à vida, à vida desta terra, à vida terna, à vida eterna.
16.5.09
o sonho e a harpa
A pequena harpa estava em minhas mãos enquanto eu caminhava por entre as pessoas no vilaregio. Emitia um som doce, suave. Eu a olhava e a tocava sem me ater às sequências harmônicas combinadas. Precisava entregá-la ao músico daquela noite, naquele festival de música intrumental. O músico que a tocaria era um caro amigo meu, que não tem a harpa como seu intrumento na vida fora do sonho, mas aqui ele a tocaria. Eu, porém, não conseguia encontrá-lo. Não havia angústia no entanto. Houve a certeza de um encontro antes que ambos subissem ao palco; a harpa e seu tocador.
O sonho acordou-me assim, com o som da lira ao longe, como um túnel de seda que vai se desmanchando lentamente até desaparecer com os olhos abrindo-se ainda sonados no amanhecer de uma cidade com montanhas de areia no fim da rua,e logo depois das montanhas, o imenso mar. No dia seguinte o amigo músico inusitadamente telefonou quando estávamos na praia. Na volta,ao ver seu número grafado no celular, lhe escrevi a mensagem "Tinha uma harpa no meu sonho para suas mãos". Em menos de cinco minutos uma mensagem dele apareceu no meu visor: "Inesperadamente, uma harpa veio parar em minhas mãos dias desses".
O sorriso ivadiu-me como o sol na parede do quarto às sete da manhã.
Permanceu, alumiado.
Na semana seguinte, entrei na sala da minha professora de canto, e perto do piano havia uma caixa de madeira, que nunca estivera ali antes. Perguntei se era algum instrumento. Ela disse que era uma harpa. Abriu a caixa, lá estava ela com as cordas finas prateadas como o brilho da ponta das estrelas, esticadas por uma clara madeira cor marfim e, calmamente a harpa veio parar em minhas mãos. Do sonho, para minhas mãos.
O sonho acordou-me assim, com o som da lira ao longe, como um túnel de seda que vai se desmanchando lentamente até desaparecer com os olhos abrindo-se ainda sonados no amanhecer de uma cidade com montanhas de areia no fim da rua,e logo depois das montanhas, o imenso mar. No dia seguinte o amigo músico inusitadamente telefonou quando estávamos na praia. Na volta,ao ver seu número grafado no celular, lhe escrevi a mensagem "Tinha uma harpa no meu sonho para suas mãos". Em menos de cinco minutos uma mensagem dele apareceu no meu visor: "Inesperadamente, uma harpa veio parar em minhas mãos dias desses".
O sorriso ivadiu-me como o sol na parede do quarto às sete da manhã.
Permanceu, alumiado.
Na semana seguinte, entrei na sala da minha professora de canto, e perto do piano havia uma caixa de madeira, que nunca estivera ali antes. Perguntei se era algum instrumento. Ela disse que era uma harpa. Abriu a caixa, lá estava ela com as cordas finas prateadas como o brilho da ponta das estrelas, esticadas por uma clara madeira cor marfim e, calmamente a harpa veio parar em minhas mãos. Do sonho, para minhas mãos.
parábola chinesa sobre o estudo
Hoje eu li uma fábula chinesa que dizia o seguinte: o aprendizado não tem idade e se ele vier, não importa quando, vai sempre contribuir e iluminar. Obviamente a fábula não continha essas palavras tão diretas e esclarecedoras. Havia dois personagens: um velho de setenta anos, com vontade de estudar os Clássicos e sem ânimo por fazê-lo, afinal dizia-se ser um velho e de que serviria começar a lê-los agora? O outro era um mestre de música que também era velho, porém era um mestre que logo discordou do amigo dizendo-lhe: "Pois bem, se achas que estás velho, por que não compras uma vela então?"
A pergunta soou fora de contexto veio pra ambos, ao velho e a mim, leitor. Imediatamente tivemos feito a pergunta: "Vela? pra que vela? eu digo um você diz cem, o que isso tem haver?!Oras bolas!" O velho certamente usou outras palavras, melhores do que estas, seguidas da explicação àquela pergunta, que coincidentemente era a resposta do título da parábola "Acerca dos estudos". O mestre chinês disse então que o aprendizado na juventude é como ter uma vida no futuro com o clarão de um sol numa madrugada,chega cedo e permanece; que o estudo na meia idade é como conviver com o sol do meio-dia, extamente sobre si; e que o estudo na velhice é como a chama de uma vela, se bem não iluminar tanto, ao menos não nos deixa completamente na escuridão.
O velho agradeceu as sábias palavras e refletiu. Tive o alívio de crer permanecer com o sol do meio-dia no meu futuro de hoje. Também me senti aliviada ao perceber que um estudo que eu sempre disse que faria quando fosse velha - para fazê-lo sem pressa - eu andei iniciando ano passado, quando chegou um piano em casa. Percebi, ao ler a parábola que o conhecimento alumia e dura o eterno brilho de uma vida.
A pergunta soou fora de contexto veio pra ambos, ao velho e a mim, leitor. Imediatamente tivemos feito a pergunta: "Vela? pra que vela? eu digo um você diz cem, o que isso tem haver?!Oras bolas!" O velho certamente usou outras palavras, melhores do que estas, seguidas da explicação àquela pergunta, que coincidentemente era a resposta do título da parábola "Acerca dos estudos". O mestre chinês disse então que o aprendizado na juventude é como ter uma vida no futuro com o clarão de um sol numa madrugada,chega cedo e permanece; que o estudo na meia idade é como conviver com o sol do meio-dia, extamente sobre si; e que o estudo na velhice é como a chama de uma vela, se bem não iluminar tanto, ao menos não nos deixa completamente na escuridão.
O velho agradeceu as sábias palavras e refletiu. Tive o alívio de crer permanecer com o sol do meio-dia no meu futuro de hoje. Também me senti aliviada ao perceber que um estudo que eu sempre disse que faria quando fosse velha - para fazê-lo sem pressa - eu andei iniciando ano passado, quando chegou um piano em casa. Percebi, ao ler a parábola que o conhecimento alumia e dura o eterno brilho de uma vida.
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