quem sou eu
28.6.09
Tangivel
para graci bella
perfume da casca da laranja
cheiro de sabor da amarela fruta
passeia pelas maos dela
que acabou de colher o fruto
maduro do pe'
a laranjeira ao lado do goiabal,
da tangerina e da mangueira
fe-la recordar-se da cerejeira
que no verao de outra terra
certo dia amadureceu.
em tempos de outrora
as maos dela ficavam vermelhas
de aroma das framboesas,
doce tarde a degustar proesas
do quintal conterraneo
distante na lembranca
para alem do mediterraneo.
hoje o laranja tinge
o pensamento dela
e lhe tange os sonhos
para algum outro canto
que o destino escolheu.
perfume da casca da laranja
cheiro de sabor da amarela fruta
passeia pelas maos dela
que acabou de colher o fruto
maduro do pe'
a laranjeira ao lado do goiabal,
da tangerina e da mangueira
fe-la recordar-se da cerejeira
que no verao de outra terra
certo dia amadureceu.
em tempos de outrora
as maos dela ficavam vermelhas
de aroma das framboesas,
doce tarde a degustar proesas
do quintal conterraneo
distante na lembranca
para alem do mediterraneo.
hoje o laranja tinge
o pensamento dela
e lhe tange os sonhos
para algum outro canto
que o destino escolheu.
16.6.09
tal qual
colares com cores
claras como coral
coradas ao sol
como as roseiras no quintal
pétala de cada pedra
luzente ao mar de água e sal
no colo via-se o colar
envolto como caracol
catavento que girava
ao moinho de vento tropical
subindo a ladeira
pés firmes no pedal
as rodas da bicicleta
regiam o movimento natural
a energia se dissipava
como as cores no plano astral
sorrias na velocidade
e cantavas em Mi bemol
a felicidade com a qual te via
parecia poesia sem outro final.
claras como coral
coradas ao sol
como as roseiras no quintal
pétala de cada pedra
luzente ao mar de água e sal
no colo via-se o colar
envolto como caracol
catavento que girava
ao moinho de vento tropical
subindo a ladeira
pés firmes no pedal
as rodas da bicicleta
regiam o movimento natural
a energia se dissipava
como as cores no plano astral
sorrias na velocidade
e cantavas em Mi bemol
a felicidade com a qual te via
parecia poesia sem outro final.
12.6.09
As grades
Da janela do teu
quarto aproximei-me
como um raio de sol
aquecido de calor.
Da janela avistei tua
cama e sobre ela
tu estavas, semi-nua
com olhos de alguém
que deseja.
Da janela podia
ver-te distante
no teu prazer incondicional
Teu semblante gemia euforicamente
Meu olhar da janela
refletia minha impossibilidade
de atravessar as grades
Minhas mãos seguravam firme
cada barra de ferro gelada
Da janela afastei-me,
tudo me escureceu.
Luz retida
nos confins de mim.
Tudo a observar
sozinho eu.
quarto aproximei-me
como um raio de sol
aquecido de calor.
Da janela avistei tua
cama e sobre ela
tu estavas, semi-nua
com olhos de alguém
que deseja.
Da janela podia
ver-te distante
no teu prazer incondicional
Teu semblante gemia euforicamente
Meu olhar da janela
refletia minha impossibilidade
de atravessar as grades
Minhas mãos seguravam firme
cada barra de ferro gelada
Da janela afastei-me,
tudo me escureceu.
Luz retida
nos confins de mim.
Tudo a observar
sozinho eu.
1.6.09
Além
Para além da vidraça, alguém medita.
As cortinas esvoaçantes encobrem
o traço da sombra que perpassa.
O cão está do lado de fora
em segundos olha a vaguidez
do ar cálido da rua deserta,
deita a cabeça sobre as patas
e tem sob si o chão árido
Parece que pensa com a nitidez
de um ser que percebe
a insensatez que se apresenta
quando um amigo se ausenta
Com olhos cabisbaixos
diante de um céu de outono
inspira lento na tarde vazia
nem sinta talvez
o desalento que no homem suscita
É apenas um cão.
suspira a existência de um tempo?
simplesmente vive, porém
nada além.
As cortinas esvoaçantes encobrem
o traço da sombra que perpassa.
O cão está do lado de fora
em segundos olha a vaguidez
do ar cálido da rua deserta,
deita a cabeça sobre as patas
e tem sob si o chão árido
Parece que pensa com a nitidez
de um ser que percebe
a insensatez que se apresenta
quando um amigo se ausenta
Com olhos cabisbaixos
diante de um céu de outono
inspira lento na tarde vazia
nem sinta talvez
o desalento que no homem suscita
É apenas um cão.
suspira a existência de um tempo?
simplesmente vive, porém
nada além.
Valsa con Ale
Mille valse danzerei
se con un corpo sotille
mi affacciassi al cuor tuo
come un soffio di brezza
che si lancia tenero
verso la tua pele delicata
Danzerei nello sguardo
che si solleva dalla profondità
di un cielo limpido
[muoversi nell´imensità
sarebbe come vollare
rallentando]
Sommersa nell´aria
la danza inebriante
diventa lenta,
a divagare assieme
al petto tuo.
se con un corpo sotille
mi affacciassi al cuor tuo
come un soffio di brezza
che si lancia tenero
verso la tua pele delicata
Danzerei nello sguardo
che si solleva dalla profondità
di un cielo limpido
[muoversi nell´imensità
sarebbe come vollare
rallentando]
Sommersa nell´aria
la danza inebriante
diventa lenta,
a divagare assieme
al petto tuo.
Mito de Flor
30.5.09
Saga
Olhos d´água
do animal feroz que passa
e num piscar ameaça
quem detrás
dos muros da praça
se esconde na sombra
e finge que não vê
os olhos famintos
do andante que traça
sua saga de fome.
A pele enrugada
com vigas profundas
riscaram seu caminho
ao longo da face
de sol a sol
e em dia de chuva
a mesma busca
a incessante procura
do alimento
que lhe dá a cura.
Que mofe a fome
de alguém sem nome
que nada come
e no vazio some.
do animal feroz que passa
e num piscar ameaça
quem detrás
dos muros da praça
se esconde na sombra
e finge que não vê
os olhos famintos
do andante que traça
sua saga de fome.
A pele enrugada
com vigas profundas
riscaram seu caminho
ao longo da face
de sol a sol
e em dia de chuva
a mesma busca
a incessante procura
do alimento
que lhe dá a cura.
Que mofe a fome
de alguém sem nome
que nada come
e no vazio some.
Paisagem amarelecida
O céu acinzentado
com o tempo envelheceu.
Escuridão maltada;
o fosco clandestino
de impurezas,
o sol se lhe escureceu.
Em cismar olhando ao longe
a tristeza me anoiteceu;
um choro apertado
no peito recendeu.
Dessarte conciliar
- na noite posterior -
a voz cantada, os hinos
a prece e o louvor,
o divino me enterneceu.
com o tempo envelheceu.
Escuridão maltada;
o fosco clandestino
de impurezas,
o sol se lhe escureceu.
Em cismar olhando ao longe
a tristeza me anoiteceu;
um choro apertado
no peito recendeu.
Dessarte conciliar
- na noite posterior -
a voz cantada, os hinos
a prece e o louvor,
o divino me enterneceu.
24.5.09
Louvores
"a sala está cheia, minha gente,
como é que eu entro agora?
eu entro minha gente, eu entro
com deus e nossa senhora"
Assim aquela senhorinha, de um metro e meio de altura, cabelo preso num pequeno rabo de cavalo, pulseiras de bolinhas coloridas e poucos colares, saia de renda amarela e camisa bordada à mão, com as mãos elevadas ao céu, os olhos voltados para a sala repleta de ouvintes, com q voz firme no microfone, ela pronunciou esses versos lindamente e deu inicio à cantoria feita por mais de dez mulheres no palco. Era um show especial, uma homenagem ao Divino com a tradição das caixeiras do divino do Maranhão.
As maranhenses que estavam no palco eram lindas. Mulheres fortes, simples, umas tímidas outras sorridentes e alegres, todas com um brilho especial no olhar, com uma ternura enquanto cantavam, vozes potentes, agudas, cantoria de fé. Os canticos eram como louvores ao Espírito Santo, à estrela guia, aos mastros que conservam os pedidos, as devoções, as promessas. Foram dias de procissão, adoração, homenagem, saias brancas, giro de saias, toque das caixas.
Parece que uma vida se passou em duas semanas e meia de celebração. A cada dia de encontro, outra vela acesa, outro lenço estendido na mesa, a imagem do pombo branco que voa pela paz, voa paz, avoa em paz. Tocar sentada com aquela caixa no colo ao lado de mulheres e à frente de outras mulheres é como um mantra que nos cobre com um manto suave, que aquece o ventre e dá o aconchego do calor materno, da pureza de sentimentos, de beleza de desejar coisas boas e ter uma luz amarelada por dentro, mesmo com os olhos cerrados.
Nesse ritual não tocam os homens. Não se pode tocar de calça comprida. Ninguém ousa atravessar o corredor de duas fileiras de caixeiras. A força das vozes femininas e a lentidão das mesmas se emaranham e se dissolvem na melodia serena. O mais bonito de tudo isso é que elas fazem por amor à vida, à vida desta terra, à vida terna, à vida eterna.
como é que eu entro agora?
eu entro minha gente, eu entro
com deus e nossa senhora"
Assim aquela senhorinha, de um metro e meio de altura, cabelo preso num pequeno rabo de cavalo, pulseiras de bolinhas coloridas e poucos colares, saia de renda amarela e camisa bordada à mão, com as mãos elevadas ao céu, os olhos voltados para a sala repleta de ouvintes, com q voz firme no microfone, ela pronunciou esses versos lindamente e deu inicio à cantoria feita por mais de dez mulheres no palco. Era um show especial, uma homenagem ao Divino com a tradição das caixeiras do divino do Maranhão.
As maranhenses que estavam no palco eram lindas. Mulheres fortes, simples, umas tímidas outras sorridentes e alegres, todas com um brilho especial no olhar, com uma ternura enquanto cantavam, vozes potentes, agudas, cantoria de fé. Os canticos eram como louvores ao Espírito Santo, à estrela guia, aos mastros que conservam os pedidos, as devoções, as promessas. Foram dias de procissão, adoração, homenagem, saias brancas, giro de saias, toque das caixas.
Parece que uma vida se passou em duas semanas e meia de celebração. A cada dia de encontro, outra vela acesa, outro lenço estendido na mesa, a imagem do pombo branco que voa pela paz, voa paz, avoa em paz. Tocar sentada com aquela caixa no colo ao lado de mulheres e à frente de outras mulheres é como um mantra que nos cobre com um manto suave, que aquece o ventre e dá o aconchego do calor materno, da pureza de sentimentos, de beleza de desejar coisas boas e ter uma luz amarelada por dentro, mesmo com os olhos cerrados.
Nesse ritual não tocam os homens. Não se pode tocar de calça comprida. Ninguém ousa atravessar o corredor de duas fileiras de caixeiras. A força das vozes femininas e a lentidão das mesmas se emaranham e se dissolvem na melodia serena. O mais bonito de tudo isso é que elas fazem por amor à vida, à vida desta terra, à vida terna, à vida eterna.
16.5.09
o sonho e a harpa
A pequena harpa estava em minhas mãos enquanto eu caminhava por entre as pessoas no vilaregio. Emitia um som doce, suave. Eu a olhava e a tocava sem me ater às sequências harmônicas combinadas. Precisava entregá-la ao músico daquela noite, naquele festival de música intrumental. O músico que a tocaria era um caro amigo meu, que não tem a harpa como seu intrumento na vida fora do sonho, mas aqui ele a tocaria. Eu, porém, não conseguia encontrá-lo. Não havia angústia no entanto. Houve a certeza de um encontro antes que ambos subissem ao palco; a harpa e seu tocador.
O sonho acordou-me assim, com o som da lira ao longe, como um túnel de seda que vai se desmanchando lentamente até desaparecer com os olhos abrindo-se ainda sonados no amanhecer de uma cidade com montanhas de areia no fim da rua,e logo depois das montanhas, o imenso mar. No dia seguinte o amigo músico inusitadamente telefonou quando estávamos na praia. Na volta,ao ver seu número grafado no celular, lhe escrevi a mensagem "Tinha uma harpa no meu sonho para suas mãos". Em menos de cinco minutos uma mensagem dele apareceu no meu visor: "Inesperadamente, uma harpa veio parar em minhas mãos dias desses".
O sorriso ivadiu-me como o sol na parede do quarto às sete da manhã.
Permanceu, alumiado.
Na semana seguinte, entrei na sala da minha professora de canto, e perto do piano havia uma caixa de madeira, que nunca estivera ali antes. Perguntei se era algum instrumento. Ela disse que era uma harpa. Abriu a caixa, lá estava ela com as cordas finas prateadas como o brilho da ponta das estrelas, esticadas por uma clara madeira cor marfim e, calmamente a harpa veio parar em minhas mãos. Do sonho, para minhas mãos.
O sonho acordou-me assim, com o som da lira ao longe, como um túnel de seda que vai se desmanchando lentamente até desaparecer com os olhos abrindo-se ainda sonados no amanhecer de uma cidade com montanhas de areia no fim da rua,e logo depois das montanhas, o imenso mar. No dia seguinte o amigo músico inusitadamente telefonou quando estávamos na praia. Na volta,ao ver seu número grafado no celular, lhe escrevi a mensagem "Tinha uma harpa no meu sonho para suas mãos". Em menos de cinco minutos uma mensagem dele apareceu no meu visor: "Inesperadamente, uma harpa veio parar em minhas mãos dias desses".
O sorriso ivadiu-me como o sol na parede do quarto às sete da manhã.
Permanceu, alumiado.
Na semana seguinte, entrei na sala da minha professora de canto, e perto do piano havia uma caixa de madeira, que nunca estivera ali antes. Perguntei se era algum instrumento. Ela disse que era uma harpa. Abriu a caixa, lá estava ela com as cordas finas prateadas como o brilho da ponta das estrelas, esticadas por uma clara madeira cor marfim e, calmamente a harpa veio parar em minhas mãos. Do sonho, para minhas mãos.
parábola chinesa sobre o estudo
Hoje eu li uma fábula chinesa que dizia o seguinte: o aprendizado não tem idade e se ele vier, não importa quando, vai sempre contribuir e iluminar. Obviamente a fábula não continha essas palavras tão diretas e esclarecedoras. Havia dois personagens: um velho de setenta anos, com vontade de estudar os Clássicos e sem ânimo por fazê-lo, afinal dizia-se ser um velho e de que serviria começar a lê-los agora? O outro era um mestre de música que também era velho, porém era um mestre que logo discordou do amigo dizendo-lhe: "Pois bem, se achas que estás velho, por que não compras uma vela então?"
A pergunta soou fora de contexto veio pra ambos, ao velho e a mim, leitor. Imediatamente tivemos feito a pergunta: "Vela? pra que vela? eu digo um você diz cem, o que isso tem haver?!Oras bolas!" O velho certamente usou outras palavras, melhores do que estas, seguidas da explicação àquela pergunta, que coincidentemente era a resposta do título da parábola "Acerca dos estudos". O mestre chinês disse então que o aprendizado na juventude é como ter uma vida no futuro com o clarão de um sol numa madrugada,chega cedo e permanece; que o estudo na meia idade é como conviver com o sol do meio-dia, extamente sobre si; e que o estudo na velhice é como a chama de uma vela, se bem não iluminar tanto, ao menos não nos deixa completamente na escuridão.
O velho agradeceu as sábias palavras e refletiu. Tive o alívio de crer permanecer com o sol do meio-dia no meu futuro de hoje. Também me senti aliviada ao perceber que um estudo que eu sempre disse que faria quando fosse velha - para fazê-lo sem pressa - eu andei iniciando ano passado, quando chegou um piano em casa. Percebi, ao ler a parábola que o conhecimento alumia e dura o eterno brilho de uma vida.
A pergunta soou fora de contexto veio pra ambos, ao velho e a mim, leitor. Imediatamente tivemos feito a pergunta: "Vela? pra que vela? eu digo um você diz cem, o que isso tem haver?!Oras bolas!" O velho certamente usou outras palavras, melhores do que estas, seguidas da explicação àquela pergunta, que coincidentemente era a resposta do título da parábola "Acerca dos estudos". O mestre chinês disse então que o aprendizado na juventude é como ter uma vida no futuro com o clarão de um sol numa madrugada,chega cedo e permanece; que o estudo na meia idade é como conviver com o sol do meio-dia, extamente sobre si; e que o estudo na velhice é como a chama de uma vela, se bem não iluminar tanto, ao menos não nos deixa completamente na escuridão.
O velho agradeceu as sábias palavras e refletiu. Tive o alívio de crer permanecer com o sol do meio-dia no meu futuro de hoje. Também me senti aliviada ao perceber que um estudo que eu sempre disse que faria quando fosse velha - para fazê-lo sem pressa - eu andei iniciando ano passado, quando chegou um piano em casa. Percebi, ao ler a parábola que o conhecimento alumia e dura o eterno brilho de uma vida.
19.4.09
ensaio

As teclas iniciais emitem o grave, de cor densa, escura, como se fosse uma massa condensada que estivesse sujeita à sustentação do peso da terra, onde o centro da gravidade atinge seu rigor. Através do som, resplandecea imagem de uma mistura de minerais e metais, interpelados por raízes sóbrias, emaranhados de filos energéticos nutridos na profunda umidade do solo. O grave das teclas do piano trazem a força, um certo poder de convicção, das coisas que possuem continuidade, constância, um mistério envolvente, o som que se propaga com vibrações perpetuantes, lentas. O grave que arrepia a nossa concha acústica, o som retumbante de dentro da caixa acústica da madeira do piano para o coração.
Na oitava central os tons ganham certo brilho e cor cujos sons trazem a lembrança da superfície do mar, onde se pode flutuar com naturalidade, e o peso do corpo ganha leveza, sentindo a tração do que está abaixo, como se pudesse perceber o sentido de um todo no profundo da matéria e acima dela. São os tons que fazem qualquer música e que a voz consegue acompanhar. É quase simples, bonito por existir.
As notas agudas lá no fim da escala cintilam no alto, são como pássaros no céu. Tão sutis quanto estridentes quando lhes falta voar. Serpentinam, chocam-se com o ar sublimado, abrem as asas para dar giros rasantes, podem atingir uma velocidade diluída no tempo, caminho de pontilhados e riscos, sons que o corpo assimila sorrindo, uma beleza quase infantil de sapecar, brincadeiras em dia de sol.
Quando aurora, o piano agrega terra, mar e céu ao toque de duas mãos. Nasce no magma da terra, atravessa a profundeza das águas, balança nas marolas das ondas, se mistura na espuma com o vento e evapora pro infinito do universo. Neste caminho que percorre de dentro pra fora, num espaço sem limites, o mesmo acontece no corpo do ser que o escuta; o som ressoa lá dentro, da alma ao corpo mental, sensório, emocional, motório, físico e carnal,vem vindo à superfíce até chegar à pele, e em contato com o ar, os pelos se arrepiam, partindo pro espírito que circunda o corpo, mistura-se com o ar e novamente ganha o universo...
piano
gran piano ou pianoforte
Dentro e Fora
Meu amor que tem
pernas fortes
caminha em terras distantes
em busca de um sonho
que su´alma guardou
Meu amor com
ombros largos
carrega-me em seus braços
como se me embalasse
em suas cantigas
Num balanço meu amor
gira meu corpo
que em suas mãos
levita
Meu amor tem olhos
que sabem a profundidade
da luz do meu olhar
tem sorriso querendo
a paz alcançar
[e músculos que
sustentam sanidade]
Meu amor tem
uma beleza
de terra com sol
dourando a pele,
de céu aberto
beijando a superfície
abraçando o universo
Meu amor está
dentro
e fora
no espaço
semeando
conquistas.
pernas fortes
caminha em terras distantes
em busca de um sonho
que su´alma guardou
Meu amor com
ombros largos
carrega-me em seus braços
como se me embalasse
em suas cantigas
Num balanço meu amor
gira meu corpo
que em suas mãos
levita
Meu amor tem olhos
que sabem a profundidade
da luz do meu olhar
tem sorriso querendo
a paz alcançar
[e músculos que
sustentam sanidade]
Meu amor tem
uma beleza
de terra com sol
dourando a pele,
de céu aberto
beijando a superfície
abraçando o universo
Meu amor está
dentro
e fora
no espaço
semeando
conquistas.
30.1.09
Terra de Santo III
extrai da terra
a rica pureza
do olhar que se distancia
de toda ilusao
que um corpo cria
que a mente alucina
que um coracao dissipa.
dorme nos sonhos
embebidos de luz
e gotas de chuva
umedecendo a lama
verde da cura,
do sabor que a seiva
amacia nos labios
na carne suave
de um corpo sublime.
viram-se na longitude
celeste de um tempo
infindo
amor incondicional
na amplitude
do horizonte eterno
de lacos que transcendem
o espirito e a divindade.
a rica pureza
do olhar que se distancia
de toda ilusao
que um corpo cria
que a mente alucina
que um coracao dissipa.
dorme nos sonhos
embebidos de luz
e gotas de chuva
umedecendo a lama
verde da cura,
do sabor que a seiva
amacia nos labios
na carne suave
de um corpo sublime.
viram-se na longitude
celeste de um tempo
infindo
amor incondicional
na amplitude
do horizonte eterno
de lacos que transcendem
o espirito e a divindade.
15.1.09
Terra de Santo II
em Terra de Santo
o amor que o peito nao pode sentir
quer morrer
pra ascender-se no divino
ser apenas luz piscante
breve, distante, micropartícula
em Terra de Santo
a flor quer murchar em lentidão
pétala a pétala secando
e perdendo a cor
pra não deixar nenhuma rosa
perfumar o vento
em Terra de Santo
o vendaval vai inundar o buraco
onde todos que ali se protegem
terão de sair um a um
mas serão abençoados com
a chuva incessante
em Terra de Santo
hemos de partir solenemente
seguindo a carruagem da vida
amando quem nos é concedido
no presente que se lança ao
futuro ainda incerto
em Terra de Santo
hei de permanecer
sem memória
sem rancor
sem passado.
o amor que o peito nao pode sentir
quer morrer
pra ascender-se no divino
ser apenas luz piscante
breve, distante, micropartícula
em Terra de Santo
a flor quer murchar em lentidão
pétala a pétala secando
e perdendo a cor
pra não deixar nenhuma rosa
perfumar o vento
em Terra de Santo
o vendaval vai inundar o buraco
onde todos que ali se protegem
terão de sair um a um
mas serão abençoados com
a chuva incessante
em Terra de Santo
hemos de partir solenemente
seguindo a carruagem da vida
amando quem nos é concedido
no presente que se lança ao
futuro ainda incerto
em Terra de Santo
hei de permanecer
sem memória
sem rancor
sem passado.
11.1.09
Terra de Santo
Há lembranças
que os corpos eternizam
com a sutileza
de uma ponta de luz,
minuciosa luminosidade
dentro de uma imagem
longíqua
quase dissolvida,
quase renascida
na sensação que
toca - com dedos
de cetim, -
um desejo que um dia
persistiu.
Quando o sol imperiou
sob a rosa-bahía,
cintilaram-se os pêlos do corpo todo
ao brilho do amanhecer.
Era ano quatro.
Na cama, um pássaro
me cantou seu hino de estupor,
veio trêmulo e esmiuçado
de pequeno pavor.
Mesmo triste, bonito soou.
Foi a cantiga da claridade
de mais um dia
em terra de Santo.
que os corpos eternizam
com a sutileza
de uma ponta de luz,
minuciosa luminosidade
dentro de uma imagem
longíqua
quase dissolvida,
quase renascida
na sensação que
toca - com dedos
de cetim, -
um desejo que um dia
persistiu.
Quando o sol imperiou
sob a rosa-bahía,
cintilaram-se os pêlos do corpo todo
ao brilho do amanhecer.
Era ano quatro.
Na cama, um pássaro
me cantou seu hino de estupor,
veio trêmulo e esmiuçado
de pequeno pavor.
Mesmo triste, bonito soou.
Foi a cantiga da claridade
de mais um dia
em terra de Santo.
9.1.09
Descortina do mundo
por onde andam os passos que guiam os olhos
cujas pálpebras semi-cerradas enchergam na escuridão
o vazio da falta de esperança
de quem são os pés magros
que caminham diante da dor
do cenário de sangue, tortura, terror
o olhar traz o mundo dentro
contido como uma semente morta
que caiu na terra e secou na amargura
a lágrima que escorre é pouca
pra lavar a doença que contamina
outros olhos, outros pés, outras vidas
ninguém pode mudar o olhar daquele
que desespera
será?
e aquele vulto que passa no semblante da noite?
é o amor?
sim, trazendo paz
mas vagueando sem por nenhuma porta conseguir entrar.
cujas pálpebras semi-cerradas enchergam na escuridão
o vazio da falta de esperança
de quem são os pés magros
que caminham diante da dor
do cenário de sangue, tortura, terror
o olhar traz o mundo dentro
contido como uma semente morta
que caiu na terra e secou na amargura
a lágrima que escorre é pouca
pra lavar a doença que contamina
outros olhos, outros pés, outras vidas
ninguém pode mudar o olhar daquele
que desespera
será?
e aquele vulto que passa no semblante da noite?
é o amor?
sim, trazendo paz
mas vagueando sem por nenhuma porta conseguir entrar.
1.1.09
anoema
um ano
de encanto
de gente que canta
um tanto de entoar
outro canto
um anoecer
na raridade
das partidas
saudades doídas
lamentos enaltecendo ídas
um anominhar
por estradelas
desconhecidas
passos celebram
verdades adormecidas
um anouvar
aos céus com braços erguidos
pelos dons recebidos
e a pureza do amor
de fora adentro
pra fora concebido.
de encanto
de gente que canta
um tanto de entoar
outro canto
um anoecer
na raridade
das partidas
saudades doídas
lamentos enaltecendo ídas
um anominhar
por estradelas
desconhecidas
passos celebram
verdades adormecidas
um anouvar
aos céus com braços erguidos
pelos dons recebidos
e a pureza do amor
de fora adentro
pra fora concebido.
13.12.08
l'epife
qualquer palavra trocada
é mais que poesia pronunciada
sentença no meio da noite
parafraseando desejo de longe
quem escreve muito se atreve
em água misteriosa se atira
para a leitura, o branco
se tinge de cintilante mistura
o que bebe a beleza
nela se inspira e corteja
a sorte da linha que cruza
e a letra de prazer se lambuza.
é mais que poesia pronunciada
sentença no meio da noite
parafraseando desejo de longe
quem escreve muito se atreve
em água misteriosa se atira
para a leitura, o branco
se tinge de cintilante mistura
o que bebe a beleza
nela se inspira e corteja
a sorte da linha que cruza
e a letra de prazer se lambuza.
12.12.08
28.11.08
Sucinto
restinga
dentro da seca
na crua incerteza
que a mente alimenta
respinga
amargura de outros solos
sedentos de dignidade,
amor, decência
retinta
a pouca luz
que aos olhos resigna
pavor, estupor
novamente a restinga
baixa e rasteirinha
surge lentamente
entre grãos e selvageria
calmamente restinga
nos olhos diante da dor
suscita mais um ciclo
e ressucita amor.
dentro da seca
na crua incerteza
que a mente alimenta
respinga
amargura de outros solos
sedentos de dignidade,
amor, decência
retinta
a pouca luz
que aos olhos resigna
pavor, estupor
novamente a restinga
baixa e rasteirinha
surge lentamente
entre grãos e selvageria
calmamente restinga
nos olhos diante da dor
suscita mais um ciclo
e ressucita amor.
2.11.08
Essência

como se estivessem deitados diante de um céu estrelado de possilibidades, universo de brilhos se acendendo e apagando-se constantemente, cada luz uma via, uma vontade, um caminho. no escuro azul do cenário de fundo, os mistérios, o que cada escolha reserva dentro do seu percurso, o invisível, pouco previsível. cada vez que uma porta se abre podem ser eternas e infinitas as andanças e as descobertas.
de olhos fechados parecem intuir a estrela que os chama, que pisca e reluz a sabedoria do instante. mas dentro da retina encoberta pela escuridão das pálpebras, dormem sonhos distantes, amores intocados no pedaço de terra que deitam seus corpos. cabeça unida com outra cabeca, unidas e separadas, cada olho que se abre mira uma estrela diferente, cada palavra que pronunciam emite um som e outro tom. eles sonham em mundos diversos, tentam fazer suas estradas se cruzarem, procuram o brilho raso, a preciosidade da essência.
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